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CÚPULA INTERCOREANA

Líderes das coreias do Sul e do Norte se reúnem em abril

Será a primeira cúpula intercoreana entre Kim Jong-un e Moon Jae-in e a terceira da história entre os dois países

Líderes das coreias do Sul e do Norte se reúnem em abril
Evento abre caminho para o esperado encontro entre Kim e Trump (Foto: Wikimedia e AP)

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O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, vão participar de sua primeira cúpula intercoreana no próximo dia 27 de abril, na zona desmilitarizada localizada na fronteira entre os países. Será a terceira cúpula intercoreana da história dos dois países.

Os líderes coreanos têm se aproximado rapidamente desde as comemorações do ano novo, quando Kim afirmou que estava disposto a dialogar com os sul-coreanos. A partir daí, diferentes conversas aconteceram, com visitas de representantes dos países sendo frequentes.

Além disso, a Coreia do Norte e do Sul desfilaram unidas na abertura das Olimpíadas de Inverno de 2018, que ocorreu no condado sul-coreano de Pyeongchang, além de terem participado da competição de uma modalidade juntas.

Nesta quinta-feira, 29, funcionários dos governos coreanos se encontraram para poder negociar as condições para o encontro. A iniciativa ocorre dias após o líder norte-coreano visitar Pequim para conversar com o presidente chinês, Xi Jinping. Na ocasião, Kim reforçou seu compromisso com a desnuclearização da Coreia do Norte.

“Nos últimos 80 dias, aconteceram muitos eventos sem precedentes nas relações intercoreanas”, afirmou Ri Son Gwon, presidente do comitê de reunificação do Norte e chefe da delegação de Pyongyang nas negociações, segundo noticiou o Guardian. Essa foi a primeira referência pública de um cidadão da Coreia do Norte à cúpula intercoreana.

Ainda nesta quinta-feira o diplomata chinês Yang Jiechi deve comparecer a Seul para uma reunião com o presidente Moon Jae-in para falar sobre a visita norte-coreana à China, a primeira viagem de Kim Jong-un para fora da Coreia do Norte desde que assumiu o poder em 2011. “Não há dúvida de que minha primeira visita ao exterior seria para a capital chinesa”, disse Kim.

A cúpula intercoreana, segundo analistas, abre caminho para o esperado encontro entre Kim e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já aceitaram dialogar. A reunião entre os líderes pode acontecer ainda em maio, pouco tempo depois do encontro entre os coreanos.

“Se houver uma chance razoável de negociações com os EUA, isso ajudará a cúpula intercoreana a dar certo porque o lado norte-coreano vai querer mostrar um lado de convívio”, destacou Christopher Green, assessor sênior da península coreana ao Crisis Group, uma organização de prevenção de conflitos.

De acordo com o professor de estudos internacionais Cheong Xiaohe, da Universidade Renmin, em Pequim, caso a cúpula intercoreana seja um sucesso, conversas multipartidárias, envolvendo diferentes países, podem começar a ocorrer.

“Se tudo correr bem, haverá rodadas de cúpula bipartidária, tripartidária ou de quatro partidos. Ninguém espera que a questão da península coreana seja resolvida por uma ou duas rodadas de cúpulas. Há um longo caminho a percorrer. Mas a tendência geral é positiva”, apontou Xiaohe.

Relação antiga

A visita do líder norte-coreano à China remete a uma relação antiga. Durante os últimos anos, quando os testes nucleares da Coreia do Norte começaram a render sanções internacionais ao país, os chineses eram os aliados mais fortes.

Porém, com o avanço do programa nuclear norte-coreano, até mesmo a China começou a se preocupar, com as relações ficando estremecidas. No entanto, a instabilidade diplomática entre os países parece já ter ficado no passado, com o presidente Xi Jinping aceitando o convite de Kim Jon-un para visitar a capital Pyongyang futuramente.

De acordo com o professor Robert Kelly, da Universidade Nacional sul-coreana de Pusan, tanto a China, quanto a Coreia do Norte tem motivos para se reaproximarem nessas semanas que antecedem as conversas diplomáticas com Coreia do Sul e Estados Unidos. “Xi não concederia essa reunião a menos que os chineses estivessem genuinamente preocupados com as cúpulas que estavam por vir e quisessem desempenhar algum tipo de papel”.

Desnuclearização

O congelamento dos programas nucleares da Coreia do Norte ainda gera dúvidas em diferentes países do mundo. De acordo com Douglas Paal, diretor do programa Ásia no Carnegie Endowment for International Peace, em Washington, as prerrogativas estabelecidas por Kim Jong-un para que a desnuclearização ocorra preocupam.

“A declaração de Kim sobre a desnuclearização veio com prerrogativas que soam muito parecidas com as prerrogativas que fizeram com que as negociações anteriores fracassassem. Pode ser que a definição de Kim das prerrogativas tenha mudado, mas essa compreensão só pode vir através de negociações cuidadosas. Devemos levar sua declaração a sério, mas com considerável ceticismo”, explicou Paal.

As tensões entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos se elevaram ao longo de 2017, com Kim Jong-un e Donald Trump trocando ofensas e ameaças em diferentes oportunidades. No mesmo ano, os norte-coreanos se lançaram como uma potência nuclear, o que estremeceu ainda mais as relações do país com o resto do mundo.

 

Leia também: Suécia sinaliza apoio ao diálogo entre EUA e Coreia do Norte

Fontes:
The Guardian-Kim Jong-un agrees to meet South Korea president at summit on 27 April

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