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Livro de ex-funcionário da CIA fala sobre Barack Obama

Comentaristas de Washington acusaram Panetta de deslealdade

Livro de ex-funcionário da CIA fala sobre Barack Obama
Comentaristas de Washington acusaram Panetta de deslealdade (Reprodução/Penguin Press)

Barack Obama se preocupa muito com as consequências não antecipadas das ações dos EUA, a última das superpotências. No entanto há o outro lado dessa doutrina, como deixa claro um ex-funcionário do alto escalão em seu novo livro de memórias: a inação pode criar um vácuo.

Em “Worhty Fights”, Leon Panetta, que serviu Obama como presidente da CIA de 2009 a 2011 e como secretário de defesa entre 2011 e 2013, descreve um presidente “extraordinariamente inteligente” que apesar disso causou danos reais ao hesitar e restringir o seu apoio total nos casos em que foram necessários.

Panetta, hoje com 76 anos, não é o primeiro assessor de Obama a escrever um livro de memórias duro, mas o presidente acusará o golpe. Como chefe de gabinete do presidente Bill Clinton ele escreve com amargura sobre a disponibilidade de seu ex-chefe de aguentar dores políticas para fechar grandes acordos.

Três falhas se destacam no relato de Panetta. Controlar os assessores de Obama o deixou “frustrantemente sozinho” enquanto tentava defender o orçamento do Pentágono de cortes indiscriminados impostos por um Congresso hesitante. Segundo, sem a “defesa ativa”, um acordo para manter a presença de tropas poderia ter ajudado os comandantes iraquianos a lutar contra a ascensão do Estado Islâmico. Por fim Panetta ecoa, a partir de uma perspectiva de alguém que participou do governo, uma crítica articulada por potências estrangeiras: a de que Obama prejudicou a credibilidade americana ao fracassar em impor uma “linha vermelha” contra o uso de armas químicas pelo regime Assad na Síria.

O problema não é uma deficiência intelectual, conclui Panetta, mas de “chama”. Obama – talvez por ter resistido a ataques pesados contra a sua legitimidade, com oponentes chegando a questionar o seu local de nascimento – é “reticente” quanto a lidar com inimigos e mobilizar aliados. Ele frequentemente recorre “à lógica de um professor de direito ao invés do entusiasmo de um líder”.

Comentaristas de Washington acusaram Panetta de deslealdade, mas isso não vem ao caso. Obama tem dois anos para mudar e Panetta está tentando dizer como fazê-lo.

 

Fontes:
The Economist-The stings of Leon

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