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Polêmica literária

Livro francês é acusado de ‘islamofobia’

O novo romance de Houellebecq traz uma previsão controversa sobre o futuro do islamismo na França

Livro francês é acusado de ‘islamofobia’
Livro de Michel Houellebecq é exposto em livraria em Paris (Reprodução/Jacky Naegelen/Reuters)

Nenhum outro romancista francês sabe criar tanta polêmica quanto Michel Houellebecq. Em 2001, o autor de The Elementary Particles afirmou que o Islã era “a religião mais estúpida de todas”, e foi processado por incitar a violência racial. Agora, Houellebecq está de volta com Soumission (Submissão, em português), seu mais recente romance, que causou indignação e consternação na França, mesmo antes de ser publicado no dia 7 de janeiro.

O romance, que ainda não foi traduzido para o inglês, é narrado por François, um professor de literatura em Sorbonne, que transita entre sexo casual e refeições de microondas em um estado de desapego irônico e tedioso. Então, em uma França imaginária de 2022, um terremoto político sacode sua vida. Os dois principais partidos, o da esquerda e o da direita, são eliminados na primeira rodada de uma eleição presidencial. A escolha fica então entre a populista Frente Nacional de Marine Le Pen e a Fraternidade Muçulmana, um novo partido liderado por Mohammed Ben Abbes. Graças a uma frente anti-Le Pen, Ben Abbes é eleito e assim começa o domínio muçulmano.

Após um período de desordem, a França retorna a uma estranha calmaria sob o regime aparentemente moderado do novo presidente muçulmano. François, que fugiu rapidamente, então volta para Paris. Mas a cidade, e sua universidade, estão irreconhecíveis. Mais mulheres usam véu, e deixam de trabalhar para cuidar de seus homens (ajudando a aumentar a taxa de desemprego da França), além da poligamia ser legalizada. O país inicia um projeto geopolítico para mesclar a Europa com os Estados mediterrâneos muçulmanos. Será que o ateu François irá resistir, fugir do novo regime ou se comprometer com ele?

De acordo com dados publicados no último sábado, 10, na Economist, o professor de filosofia e apresentador de televisão, Ali Baddou, disse que a “islamofobia” do romance o fez ter “vontade de vomitar”. Para seus defensores, Houellebecq está olhando fixamente para os medos secretos da França. Escrevendo para o Le Monde, o romancista francês Emmanuel Carrère comparou Soumission com 1984 de George Orwell. Houellebecq diz seu livro é uma “visão”, baseada no colapso das idéias iluministas diante da busca religiosa de sentido em uma sociedade decadente. A submissão do título se refere a Deus, assim como a França ao islã, ou mulheres a um novo patriarcado. A discussão sutil de ideias é irrelevante frente o confronto político que o Houellebecq tem feito, conscientemente ou não.

Fontes:
The Economist-Irrepressible

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