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Depilação

Livro relata a história da remoção de pelos nos Estados Unidos

Muitos homens sentem-se obrigados a se barbear para trabalhar ou para participar de compromissos sociais, e a mulher com excesso de pelo sofre o desprezo geral da sociedade

Livro relata a história da remoção de pelos nos Estados Unidos
A humanidade tem usado um número impressionante de recursos para remover os pelos (Reprodução/Internet)

Barbeadores, depilação a laser, cremes de depilação, pinças, ceras, depilação com linha e eletrólise. A humanidade tem usado um número impressionante de recursos para remover os pelos. Essa obsessão, em termos biológicos, é muito estranha. A maioria dos mamíferos é extremamente peluda. Só uma espécie tenta remover os pelos. O livro Plucked: A History of Hair Removal de Rebecca Herzig, um relato delicioso da história da remoção de pelos nos Estados Unidos explica o fenômeno: a pele macia e lisa é um imperativo cultural.

Não existe exemplo melhor do que a reação dos europeus barbudos diante da pele macia e imberbe dos índios e índias americanos, que viram ao chegar na costa do país.

As opiniões mudaram depois que Charles Darwin publicou A descendência do homem e seleção em relação ao sexo em 1871 e as perspectivas de relacionamento entre os seres humanos e os animais mudaram. Apesar de os teólogos americanos terem ignorado ou rejeitado as teorias de Darwin, a ideia de uma ligação entre o homem e o macaco teve um grande impacto cultural no conceito de ter pelos. Os espetáculos de fenômenos anormais e os circos exibiam “homens com rosto de cachorro” e “mulheres barbadas”, e o crescimento pouco usual de pelos relacionava-se a diversas patologias. No início do século XX, a quantidade abundante de pelos era um indício de desvios sexuais, mentais e criminais.

O corpo feminino atraía uma atenção especial. Os médicos contavam histórias de mulheres angustiadas com o “excesso” de pelo, sobretudo, no rosto e no pescoço. As mulheres que lideraram o movimento de direito ao voto feminino e à igualdade social eram descritas como homossexuais e peludas, e nas críticas em relação à mudança dos papéis sexuais das mulheres o excesso de pelo era uma evidência de masculinidade.

Mas a discussão se a remoção dos pelos é uma questão de estética ou uma forma de opressão ainda continua. Muitos homens sentem-se obrigados a se barbear para trabalhar ou para participar de compromissos sociais, e a mulher com excesso de pelo sofre o desprezo geral da sociedade. Um escritor do Daily Mail, o jornal mais popular do mundo em seu formato virtual, fez um comentário há pouco tempo a respeito de uma jovem com axilas e pernas sem depilar: “Ao vê-la eu quase botei para fora o meu café da manhã.” Os seres humanos querem ser diferentes dos animais e, portanto, o que é normal passou a ser monstruoso.

Fontes:
Economist-Hair-erasing

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