Início » Cultura » Livro relata movimentos revolucionários no Ocidente
História

Livro relata movimentos revolucionários no Ocidente

Janet Polasky descreveu como os radicais que viajavam para diversos lugares foram importantes na disseminação das ideias revolucionárias

Livro relata movimentos revolucionários no Ocidente
No primeiro ano da Revolução Francesa foram publicados 194 novos jornais em Paris (Reprodução/Wikipedia)

Os revolucionários querem derrubar paredes. De 1776, quando os Estados Unidos declararam independência a 1804, o ano em que o Haiti por fim se libertou da opressão da França, os compartimentos e divisões do poder estabelecido foram alvo de movimentos libertários. Em Revolutions Without Borders: The Call to Liberty in the Atlantic World, Janet Polasky descreve com detalhes como o mundo ocidental foi dominado nesse período pela doutrina dos direitos universais do homem e por um iconoclasmo irrefreável.

Mas o que diferencia Revolutions Without Borders: The Call to Liberty in the Atlantic World de outros livros de história é o fato de Janet Polasky derrubar também paredes, nesse caso acadêmicas. Em vez de contar a história heroica nacional da maneira comum, ela percorre os caminhos de seus personagens revolucionários, de Paris, Washington, Polônia, Serra Leone ao Caribe. Polasky não se limita a narrar os feitos dos homens corajosos e relata também o papel das mulheres e dos escravos nesse painel revolucionário. O resultado é um espetáculo que transmite a vibração do Iluminismo, assim como o delírio da revolução.

As pessoas estavam ávidas por novas ideias e muitas dessas ideias foram descritas em publicações. Janet Polasky não organizou seu livro com uma forma linear e um capítulo é baseado em panfletos, outro extrai informações de jornais, um terceiro baseia-se em diários e assim por diante. No primeiro ano da Revolução Francesa foram publicados 194 novos jornais em Paris e 90 nas províncias. Em 1788 as notícias políticas só ocupavam 5% do noticiário dos jornais franceses; um ano depois dois terços das notícias dedicavam-se à política. No entanto, apesar do interesse por novas notícias, os jornais demoravam semanas ou meses para chegarem em locais mais distantes, o que estimulou os boatos e a insubordinação de comandantes e diplomatas descontentes com os acontecimentos.

A autora mostrou como os radicais que viajavam para diversos lugares foram importantes na disseminação das ideias revolucionárias. Ela cita nomes conhecidos como Thomas Paine, o inglês que incentivou a revolta nos Estados Unidos antes de atravessar de novo o Atlântico para lutar na Europa continental, mas também pessoas menos conhecidas como Equiano Olaudah, que comprou sua liberdade e escreveu sobre o comércio de escravos.

Fontes:
Economist-Aux armes, historiens!

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *