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CEDENDO À PRESSÃO

Macron desiste de vez de aumento nos combustíveis

Cedendo à pressão das ruas, presidente francês, que havia declarado o aumento suspenso por seis meses, decide cancelar de vez a medida

Macron desiste de vez de aumento nos combustíveis
Governo teme mais violência na nova rodada de protestos convocada para este fim de semana (Foto: Facebook/Emmanuel Macron )

O governo da França decidiu cancelar em definitivo o aumento dos impostos sobre combustíveis, estopim da onda de manifestações que varreu o país e entra em sua quarta semana. A decisão foi tomada após um debate na Assembleia Nacional.

Na última terça-feira, 4, o presidente Emmanuel Macron tentou dissipar os protestos, anunciando que o aumento – antes previsto para entrar em vigor em janeiro de 2019 – foi adiado por seis meses. A decisão, no entanto, não cessou a indignação popular. Novas rodadas de manifestações foram convocadas e a adesão aos protestos, que se tornaram violentos nos últimos dias, aumentou.

Temendo a intensificação da violência nos protestos marcados para o próximo sábado, 8, o governo francês optou pelo cancelamento em definitivo da medida. Além disso, anunciou um aumento de 1,8% no salário mínimo, a entrar em vigor em janeiro.

Através de seu porta-voz, Benjamin Griveaux, Macron pediu “às forças políticas e sindicais, ao patronato, para lançarem um apelo claro e explícito por calma”. Além disso, o presidente francês criticou a violência dos protestos na cidade de Puy-en-Velay, onde manifestantes usaram coquetéis molotv para incendiar o prédio da prefeitura. “Aos agentes da prefeitura de Puy-en-Velay: vocês experimentaram algo terrível no sábado. Não há justificativa para essa violência”, escreveu Macron em sua conta no Twitter.

Macron observa os danos na prefeitura de Puy-en-Velay (Foto: Twitter/Emmanuel Macron)

Macron observa os danos na prefeitura de Puy-en-Velay (Foto: Twitter/Emmanuel Macron)

Segundo informou a rede alemã Deutsche Welle, o pedido de Macron por paz foi respaldado por outros parlamentares. A ministra do Trabalho, Muriel Penicaud, afirmou, em entrevista a jornalistas, que estimular o caos “nada contribui para resolver os problemas”. O ministro do Interior, Christopher Castaner, pediu que manifestantes “responsáveis” não participem dos protestos e ordenou o reforço policial na capital para coibir atos de violência.

A onda de manifestações teve início em 17 de novembro, após o governo anunciar um aumento de tributos sobre o carbono, o que acarretaria em aumento no preço dos combustíveis, que, por sua vez, acabaria repassado para a população. A proposta tinha como objetivo reduzir as emissões de carbono, mas acabou por despertar a indignação popular.

Os protestos começaram pacíficos, mas foram se radicalizando. Além do aumento, os manifestantes passaram a protestar contra o alto custo de vida no país e pela renúncia de Macron. Os manifestantes também se revoltaram contra decisão de Macron de remover os impostos sobre grandes fortunas, cobrado de pessoas de renda mais alta.

Os coletes amarelos foram escolhidos como símbolos dos protestos por serem uma peça obrigatória a serem carregadas em veículos na França – assim como era o extintor de incêndio em carros que circulam no Brasil.

Os protestos ocorrem em um momento de fragilidade do governo de Macron, eleito em 2016, com grande expectativa do eleitorado, que desejava mudanças após a gestão de François Hollande – que encerrou seu governo com 12% de aprovação, a pior popularidade da história francesa recente.

No entanto, Macron encontrou dificuldades para aprovar as reformas que considerava necessárias para resgatar a economia do país. Logo em seu primeiro ano de governo, ele enfrentou uma onda de protestos contra a reforma trabalhista proposta por sua gestão. No início deste ano, ele tornou a enfrentar uma onda de manifestações, desta vez contra a reforma no sistema ferroviário – que incluía cortar custos e limitar alguns direitos dos ferroviários.

Segundo o jornal português Diário de Notícias, parlamentares de esquerda e de direita aproveitaram a fragilidade de Macron, que conta com uma popularidade de apenas 23%, para criticar sua gestão. Jean-Luc Mélenchon, líder da legenda de esquerda França Insubmissa, disse que a França está em “estado de insubmissão geral” e criticou a gestão de Macron.

O mesmo fez o líder da bancada do partido de direita Os Republicanos, Christian Jacob, que disse que o “o verdadeiro responsável” pelo caos que vive a França “está no Eliseu”, em referência ao Palácio do Eliseu, sede do Executivo francês. “Por ser incapaz de responder no momento certo aos gritos de angústia de todos os meios, todas as classes sociais e todos os territórios, você [Macron] semeou discórdia e violência”, disse Jacob.

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