Início » Cultura » Macron quer redefinir a cultura francesa
LITERATURA

Macron quer redefinir a cultura francesa

No entanto, alguns escritores francófonos não estão gostando da proposta

Macron quer redefinir a cultura francesa
Macron já prometeu fazer do francês a principal língua da África (Foto: Kremlin)

O presidente da França, Emmanuel Macron, trata a cultura francesa como um tesouro nacional e a língua francesa como uma joia. Macron já prometeu fazer do francês a língua principal da África e “talvez” do mundo. Ele nomeou a escritora Leïla Slimani para liderar esta missão, mas a campanha acabou por reviver a guerra cultural francesa.

Atualmente, mais pessoas falam francês na capital da República Democrática do Congo do que na capital da França. Em 2050, graças ao crescimento populacional na África, 85% dos falantes de francês do mundo vão viver no continente. Para Macron, “o francês não é uma língua fechada” e deve ser fluída.

Em janeiro, o escritor congolês Alain Mabanckou disse que não faria parte do projeto do presidente de renovar “La Francophonie”, um grupo de países que falam francês. A instituição, segundo ele, é apenas “a continuação da política externa francesa com suas antigas colônias”, que trata os escritores francófonos como os “outros”.

Para alguns escritores africanos, cuja língua materna é uma língua local, o processo de escrever em francês, a língua da antiga metrópole, ainda reflete antigos sentimentos. “Literatura escrita em francês não precisa ser chamada de literatura francesa para existir”, diz Véronique Tadjo, uma escritora franco-marfinense.

Slimani critica editores em Paris por não investirem o suficiente em obras escritas em francês fora da França. “Literatura francófona é literatura mundial, mas a publicação é muito parisiense”, diz a escritora.

O próprio livro de Slimani, “Chanson Douce”, pode ajudar a quebrar estas percepções, assim como outras vozes, frequentemente femininas. Por agora, as boas intenções do presidente francês estão colidindo com a crítica radical de escritores que usam o francês, mas que não querem nem o consentimento nem a aprovação da França.

Fontes:
The Economist-Emmanuel Macron wants to redefine French culture

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. luiz alberto franco disse:

    É bem verdade que as condições de “tamanho cultural” são diferentes e que, até onde me lembro, Portugal nunca assumiu uma atitude paternalista, como parece ser o que incomoda na posição francesa. De todo o modo não percebo na área lusófona reações radicais. Não vi nenhum dos autores de “ultramar” cogitar que dependa de “consentimento” ou “aprovação” de Portugal. Viva Mia Couto, Miguel de Sousa Tavares, José Eduardo Agualusa, Jacques Fux e tantos outros de cá e de lá(s).

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *