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CRISE POLÍTICA

Madri cogita intervenção na Catalunha após referendo

Ministro da Justiça espanhol estuda acionar o Artigo 155 da Constituição, que autoriza o uso de ‘medidas necessárias’ para obrigar a região a cumprir suas obrigações

Madri cogita intervenção na Catalunha após referendo
O governo catalão revelou uma vitória esmagadora do 'sim' (Foto: Twitter/@En_Marea)

A crise política na Catalunha está cada vez mais tensa. Após o referendo sobre a independência da região, no último domingo, 1°, ser marcado pela violência policial, o ministro da Justiça espanhol, Rafael Catalá, afirmou à emissora espanhola TVE que fará tudo dentro da lei para que não haja uma separação. Catalá ameaçou usar o Artigo 155 da Constituição, que autoriza o Executivo a adotar as “medidas necessárias” para obrigar uma região autônoma a cumprir suas obrigações. O governo poderia, por exemplo, dissolver o governo catalão. Agora, uma grande paralisação está agendada para esta terça-feira, 3, nas principais cidades catalãs.

Após os casos de violência policial no referendo, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al Hussein, pediu uma investigação “profunda e imparcial” sobre as ações que ocorreram no domingo. Apesar de a Comissão Europeia considerar o referendo como ilegal, ela pediu ao governo espanhol para dialogar com os separatistas. “A Comissão Europeia já não é mais vista pelos catalães como um mediador neutro. Então, esse papel pode ser ocupado pela Comissão de Veneza, um corpo internacional de advogados que reúne todos os membros do bloco europeu. Nenhuma Constituição é eterna. Foi um desastre para a imagem de Rajoy”, disse Steven Blockmands, do Centro de Estudos Políticos Europeus em Bruxelas, ao New York Times.

“A Comissão Europeia foi quem menos se mexeu durante todo o processo, mas agora órgãos como a ONU e a OSCE falam em violações de direitos humanos; governos europeus pedem diálogo, condenando o uso da força; e o Parlamento Europeu discutirá o tema na quarta-feira. Poderíamos imaginar que não reconhecessem o resultado, mas ninguém pensou que forças policiais seriam usadas contra cidadãos em escolas primárias. É esse o Estado que a Espanha quer nos oferecer?”, disse Albert Royo, secretário-geral do Conselho de diplomacia da Catalunha, ao Globo.

O governo catalão indicou a vitória esmagadora do “sim”, com cerca de 90% dos votos. O parlamento catalão deve se reunir até o fim de semana para discutir os próximos passos, como uma declaração unilateral de independência.

No último domingo, 1°, cerca de 10 mil agentes da Polícia Nacional e da Guarda Civil foram enviados à Catalunha para coibir o referendo, que havia sido proibido pela Justiça espanhola. Várias escolas foram invadidas para apreensão de urnas e cédulas. Nem mesmo o presidente catalão conseguiu votar no lugar previsto por causa das ações das autoridades de segurança. De acordo com a Secretaria de Saúde do governo da Catalunha, 844 pessoas ficaram feridas.

 

Fontes:
O Globo-Madri ameaça intervenção na Catalunha em crise política

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