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Venezuela

Maduro complementa a propaganda do governo com autocensura

Não satisfeito em perseguir e censurar a imprensa, o governo da Venezuela se autocensura

Maduro complementa a propaganda do governo com autocensura
Objetivo aparente do governo é esconder dos venezuelanos as más notícias (Fonte: Reprodução/Claudio Munoz)

Nicolás Maduro, que sucedeu a Chávez como presidente em 2013, está complementando a propaganda implacável do governo com a autocensura. O objetivo aparente é esconder dos venezuelanos as más notícias, que podem aumentar ainda mais o descrédito do povo no governo. O Ministério da Saúde, por exemplo, não publica um boletim epidemiológico semanal desde o início de novembro, apesar dos surtos simultâneos de três doenças transmitidas por mosquitos. Em maio de 2014, surgiram os primeiros casos de chikungunya, uma doença originária da África, que provoca febre alta e dores fortes nas articulações. As autoridades venezuelanas demoraram cinco meses para fazerem um comunicado oficial sobre o surto de chikungunya. No entanto, o boletim mais recente do Ministério da Saúde não incluiu uma notificação a respeito da doença.

Em novembro, Héctor Rodríguez, o vice-presidente de Desenvolvimento Social, disse que o número total de casos elevara-se para 26.451, mas que a “curva em ascensão” estava em “declínio”. Um número discutível na opinião de especialistas em saúde pública que não pertencem aos órgãos do governo. Segundo esses especialistas, os casos da “febre” aumentaram em outubro para mais de 200 mil pessoas infectadas por semana, sete vezes o número habitual.

No auge do surto de chikungunya, os médicos do estado de Aragua, a oeste de Caracas, declararam estado de emergência depois que oito pacientes com erupções cutâneas e hemorragia morreram em um hospital regional. O governo negou que houvesse uma relação entre o surto de chikungunya e a causa dessas mortes, acusou o presidente da Associação Médica local, Ángel Sarmiento, de ser o mentor de uma “campanha terrorista” e mandou prendê-lo. Sarmiento fugiu do país. De acordo com Rafael Orihuela, um ex-ministro da Saúde, as mortes foram causadas por “uma forma grave de chikungunya”.

A autocensura não se restringe às autoridades de saúde pública. O Instituto Nacional de Estatística (INE) não publicou dados sobre pobreza em 2014. Há três meses que não se divulga os dados de produção da PDVSA, a empresa estatal de petróleo. Quando os membros do governo explicam seu silêncio, o que não é frequente, dizem que é preciso evitar a “manipulação política” das estatísticas. Assim como todos os governantes autoritários, Nicolás Maduro sabe que informação significa poder e espera que o silêncio ajude a mantê-lo.

1 Opinião

  1. Osmar disse:

    O Brasil que se cuide, pois está caminhando para isto….

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