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VENEZUELA

Maduro está rasgando a Constituição escrita por Chávez

Em 1999, Hugo Chávez criou uma Constituição para o país da qual se orgulhava. Agora, seu sucessor, Nicolás Maduro, está rasgando ela em pedaços

Maduro está rasgando a Constituição escrita por Chávez
Por que Maduro desrespeita o livro tão aclamado pelo seu antecessor? (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

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Houve um tempo em que Hugo Chávez era tão imensamente orgulhoso da Constituição venezuelana que ele criou em 1999, que a mandou imprimir em um pequeno livro azul e distribuiu a todos que conhecia.

Agora, o governo de seu sucessor, Nicolás Maduro, está se encarregando de rasgar esse livro. Esse processo começou em dezembro do ano passado, quando a oposição ganhou a maioria dos assentos na Assembleia Nacional.

Maduro começou a barrar todas as medidas aprovadas pelo Parlamento. Para isso, ele recorreu ao Supremo Tribunal do país, composto por aliados de seu governo. A primeira medida barrada foi a anistia para presos políticos, prevista na Constituição de Chávez e aprovada pelo Parlamento.

Por duas vezes o Parlamento venezuelano teve de recorrer à Constituição para rejeitar decretos que garantiam a Maduro poderes sob o pretexto de estado de emergência. Porém, Maduro continua a pressionar o Parlamento. No mês passado, ele chegou a dizer que “é uma questão de tempo até que a Assembleia desapareça”.

O artigo 72 da Constituição do país declara que todos os representantes eleitos podem ser sujeitos a referendos após a metade de seus mandatos. No entanto, Maduro afirma que a realização do referendo sobre sua permanência no governo, como defende a oposição, é uma opção constitucional, e não uma obrigação.

Mas por que Maduro estaria rasgando o livro tão aclamado pelo seu antecessor? A resposta é simples. A Venezuela está em uma aguda crise, fruto da queda no preço do petróleo e anos de má gestão governamental.

Caso houvesse um referendo, o governo sabe que sua derrota seria quase certa. Segundo as últimas pesquisas de opinião, 64% da população quer a saída de Maduro. A derrota destruiria o maior mito do chavismo: o apoio popular.

A maioria dos analistas políticos afirma que a estratégia do governo é aguentar como puder até 2017, na esperança de que a recuperação no preço do barril do petróleo continue. Aliados do governo também têm esperança de encontrar uma forma ou um novo líder capaz de substituir Maduro sem acabar com o regime chavista.

Fontes:
The Economist-Chávez’s little blue book

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1 Opinião

  1. Markut disse:

    Esse bolivarianismo predador e primário ,instalado na América Latina, não suporta oposição e, se ela ameaça o poder absolutista, nem o livrinho azul de Chavez (quem diria?) se salva.
    Pelo visto, os “postes” são piores do que os que os plantaram, a saber: Chavez – Maduro, Lula- Dilma.
    Sem surpresa, a economia global sempre comandando o espetáculo.

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