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SOMBRAS DA ILEGITIMIDADE

Maduro inicia novo mandato na próxima quinta-feira

Presidente venezuelano assumirá o novo mandato frente a uma oposição enfraquecida. Pressão internacional promete aumentar ainda mais em 2019

Maduro inicia novo mandato na próxima quinta-feira
Maduro venceu as eleições presidenciais em 2018 (Foto: Nicolás Maduro/Twitter)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, iniciará oficialmente o seu novo mandato na próxima quinta-feira, 10. No entanto, mesmo tendo vencido as eleições em 2018, o governo não conta com parte do apoio nacional ou internacional, o que pode aumentar ainda mais a crise econômica pela qual o país passa.

As eleições venezuelanas de 2018 levantaram críticas de diferentes países, inclusive na própria Venezuela. Em várias ocasiões, a oposição a Maduro denunciou processo eleitoral, apontado como duvidoso, e boicotou o pleito presidencial.

Com a oposição enfraquecida dentro do país, Maduro se vê ainda mais forte. Os adversários políticos do governo de Maduro até tentaram retirá-lo do poder, convocando protestos e iniciando tentativas de referendo, mas não obtiveram êxito.

Entre os países que não reconheceram a legitimidade das eleições estão Estados Unidos, Canadá, 12 nações latino-americanas, além da União Europeia. Analistas preveem ainda mais dificuldades internacionais para Maduro e para a Venezuela. Mesmo com a tentativa de aproximação com seus aliados, como a Rússia, China, Turquia e Coreia do Norte, a previsão é que a pressão internacional, principalmente de nações próximas, como as que integram o Grupo de Lima, aumente.

Pressão internacional

No último dia 5 de janeiro, o Grupo de Lima se reuniu pela primeira vez em 2019, já com a presença do novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo. A reunião se concentrou em falar sobre a Venezuela. No comunicado oficial, divulgado após o encontro, os países trataram o novo mandato de Maduro como “ilegítimo”.

“O processo eleitoral realizado na Venezuela em 20 de maio de 2018 carece de legitimidade por não haver contado com a participação de todos os atores políticos venezuelanos, nem com a presença de observadores internacionais independentes, nem com garantias e padrões necessários a um processo livre, justo e transparente”, destaca o Grupo de Lima no comunicado.

Ademais, o Grupo pediu que Maduro não assuma a presidência e transfira o poder, temporariamente, ao Executivo, além de condenarem qualquer tipo de movimentação militar que ameaça a paz na região. Por fim, a organização convocou outros atores internacionais a adotarem medidas contra o regime de Maduro para restaurar a democracia no país.

Economia

Além da pressão internacional, os problemas econômicos assolam a Venezuela. O Fundo Monetário Internacional (FMI) tinha previsto uma inflação de 1.000.000% no país, o que se concretizou. Agora, para 2019, o órgão acredita que a economia vai contrair 5%, com uma hiperinflação de 10.000.000%.

A fragilidade da economia tem levado a uma crise humanitária e migratória. Muitos venezuelanos têm optado por emigrar para países vizinhos, como Peru, Colômbia e Brasil. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), 2,3 milhões de venezuelanos já abandonaram o país desde 2015, e esse número deve aumentar para 5,3 milhões em 2019.

 

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Fontes:
AFP-Maduro assume segundo mandato sob a sombra da ilegitimidade

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