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ANÚNCIO SURPRESA

Mahmoud Ahmadinejad se candidata à presidência do Irã

Considerado o líder mais polêmico e anti-ocidental do Irã, o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad vai disputar a presidência nas eleições de maio

Mahmoud Ahmadinejad se candidata à presidência do Irã
Anúncio de Ahmadinejad coroa a recente reviravolta no cenário político global (Foto: Wikipedia)

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Há apenas alguns meses, o Irã parecia finalmente ter se reconciliado com o Ocidente. A chegada de Hassan Rohani à presidência suavizou o tom antagonista de seu antecessor, Mahmoud Ahmadinejad, e permitiu que o país firmasse um acordo nuclear com Ocidente, elaborado pelos EUA, em troca da retirada das sanções que por anos estrangularam a economia iraniana, levando milhares à pobreza.

A reaproximação com o Ocidente reanimou o interesse de investidores no país e tudo indicava que o Irã seria a mais nova potência em ascensão do Oriente Médio. No entanto, nos últimos quatro meses, esse cenário otimista desvaneceu. A chegada de Donald Trump à Casa Branca azedou as relações entre os dois países e erodiu o trabalho de reaproximação feito na gestão de Barack Obama.

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Em janeiro, Trump incluiu o Irã em uma lista de sete países de maioria islâmica, cuja população foi temporariamente proibida de entrar nos EUA. Em fevereiro, Trump tornou a impor sanções econômicas ao país por conta de um teste com um míssil balístico.

Para coroar essa reviravolta um agente inesperado voltou à cena. O ex-presidente Ahmadinejad  surpreendeu a todos nesta quarta-feira, 12, ao anunciar que vai concorrer às eleições presidenciais do país, previstas para maio deste ano. A declaração contraria a recomendação do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, para que Ahmadinejad não participasse do pleito.

A notícia promete alterar a disputa eleitoral. Embora ainda não tenha anunciado oficialmente sua candidatura, o moderado Rohani era visto como o candidato preferido, pois foi responsável pelo acordo nuclear com os EUA e os conservadores, por sua vez, não conseguiam entrar em consenso em torno de um candidato.

Para o jornal New York Times, Ahmadinejad, com seu estilo incendiário, pode angariar votos de eleitores em busca de um candidato que fale firme com Trump. Considerado um dos líderes mais anti-ocidentais do Irã, Ahmadinejad governou o país entre 2005 e 2013. Sua gestão foi marcada por declarações polêmicas. Ele declarou que Israel seria varrido do mapa, disse que os EUA usaram o 11 de setembro como pretexto para guerras que, na verdade, foram motivadas por petróleo, negou o Holocausto e disse que as potências globais toleram ogivas nucleares de aliados, enquanto proíbem programas nucleares que trariam avanços científicos a outras nações, como o Irã.

Sua postura ofensiva o fez perder o apoio até mesmo de Khamenei, além de afundar a economia do país, fazendo a inflação chegar a 45% e a taxa de desemprego subir para mais de 20%. As receitas com petróleo, carro-chefe da economia iraniana, também despencaram.

A possível volta de Ahmadinejad ameaça colocar mais um líder controverso no cenário global, ao lado dos eloquentes Vladimir Putin, Trump e Kim Jong-un. Quem, provavelmente, se beneficiaria do retorno de Ahmadinejad é a Arábia Saudita, país de maioria sunita que compete com o Irã, de maioria xiita, pelo posto de potência regional do Oriente Médio. Aliada de longa data do governo americano, a Arábia Saudita via com péssimos olhos a aproximação de Washington e seu rival. Somada à chegada de Trump, o retorno de Ahmadinejad poderia reatar a relação entre os governos saudita e americano.

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