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Maioria dos crimes em alto mar não é investigada

Crimes em alto mar são sequer relatados ou investigados

Maioria dos crimes em alto mar não é investigada
Imagem do vídeo achado no celular (Reprodução/ Guardian)

Um vídeo mostra pelo menos quatro homens desarmados sendo mortos por tiros em alto mar. Apesar das dezenas de testemunhas, os assassinatos não foram relatados e continuam sendo um mistério. Em 6 minutos e 58 segundos, pelos menos 40 cartuchos são disparados contra os homens, que estavam agarrados ao que parece ser destroços de um barco de madeira.

Logo depois dos assassinatos, um grupo de homens no convés, que parecem ser membros da tripulação, riem entre si e posam para selfies. Ninguém sequer relatou o incidente e não há nenhuma exigência de fazer isso, segundo a legislação marítima. Autoridades policiais só souberam das mortes depois que um vídeo dos assassinatos foi encontrado em um telefone celular deixado em um táxi em Fiji no ano passado, e em seguida, colocado na internet.

Com nenhum corpo, vítimas não identificadas e nenhuma localização exata de onde o tiroteio ocorreu, não está claro se algum governo vai assumir a responsabilidade para liderar uma investigação. Autoridades de pesca de Taiwan dizem acreditar que os mortos faziam parte de um ataque de piratas que não deu certo. Mas especialistas em segurança marítima advertem que a pirataria se tornou uma desculpa conveniente para acobertar outros crimes. Eles poderiam ser pescadores locais em águas disputadas ou ladrões pegos roubando peixe ou isca, por exemplo.

Desde a Segunda Mundial que os oceanos não tinham tantos navios armados e perigosos, segundo dizem os historiadores navais. Milhares de marinheiros a cada ano são vítimas de violência, com centenas de mortos, de acordo com autoridades de segurança marítima. No ano passado mais de 5.200 marinheiros foram atacados por piratas ou assaltantes e mais de 500 foram feitos reféns em apenas três regiões (no Oceano Índico Ocidental, no Sudeste da Ásia e no Golfo da Guiné ao largo da África Ocidental), de acordo com um banco de dados coletado pelo New York Times.

Processos por crimes no mar são raros – um ex-oficial da Guarda Costeira dos Estados Unidos diz que eles representam “menos de 1%” – porque muitos navios não têm seguro e capitães são avessos aos atrasos que podem vir junto com uma investigação policial. Os poucos navios militares e policiais que patrulham as águas internacionais são geralmente proibidos de embarcar em navios com a bandeira de outros países a não ser que haja permissão. Testemunhas dispostas a falar são escassas assim como a evidência física.

A violência no mar e em terra são tratadas de forma diferente, disse Charles N. Dragonette, que rastreou ataques marítimos a nível mundial para o Escritório de Inteligência Naval dos Estados Unidos até 2012. “Em terra, não importa o quão brutal seja a repressão ou quão corrupto seja o governo local, alguém vai saber quem são as vítimas, onde estavam, para que eles não retornassem”, disse ele. “No mar, o anonimato é a regra.”

 

Fontes:
The New York Times-Murder at sea: captured on video, but killers go free

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