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Mais de 15 países criticam eleições da Venezuela

Grupo de Lima, Estados Unidos e Espanha não reconhecem reeleição de Nicolás Maduro

Mais de 15 países criticam eleições da Venezuela
Ao todo, 8,6 milhões de pessoas foram às urnas para escolher um novo presidente para a Venezuela (Foto: MIPPCI)

O Grupo de Lima – formado por 14 países, entre eles o Brasil -, os Estados Unidos e a Espanha se manifestaram nesta segunda-feira, 21, contra a reeleição do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Os países afirmaram que não vão reconhecer a vitória de Maduro no pleito, que contou com a participação de menos de 50% dos eleitores.

Ao todo, 8,6 milhões de pessoas foram às urnas no último domingo, 20, para escolher um novo presidente para a Venezuela. O número representa apenas 46% do eleitorado venezuelano. Nicolás Maduro, com 67,7% dos votos com 92,6% das urnas apuradas, foi reeleito.

Henri Falcón e Javier Bertucci, que eram seus principais adversários, obtiveram 21% e 11% dos votos, respectivamente. Os candidatos opositores, inclusive, denunciaram irregularidades durante as eleições, afirmaram que não iriam reconhecer o resultado e solicitaram um novo pleito.

O Grupo de Lima – formado por Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia – divulgou uma nota afirmando que vão convocar reuniões com autoridades responsáveis por diferentes temas para tratar da crise na Venezuela. A reunião sobre migração e refúgio deve ocorrer na primeira quinzena de junho, no Peru.

Segundo a nota, os países “não reconhecem a legitimidade do processo eleitoral que teve lugar na República Bolivariana da Venezuela, concluído em 20 de maio passado, por não estar em conformidade com os padrões internacionais de um processo democrático, livre, justo e transparente”.

Além de se manifestar através da nota do Grupo de Lima, o Brasil, por meio do Ministério de Relações Exteriores, divulgou um comunicado lamentando a falta de “credibilidade” e “legitimidade” nas eleições venezuelanas. Além disso, o governo federal destacou que a Venezuela não atendeu a diferentes pedidos da comunidade internacional, que solicitou “eleições livres, justas, transparentes e democráticas”.

“Assim, ao invés de favorecer a restauração da democracia na Venezuela, as eleições de ontem aprofundam a crise política no país, pois reforçam o caráter autoritário do regime, dificultam a necessária reconciliação nacional e contribuem para agravar a situação econômica, social e humanitária que aflige o povo venezuelano, com impactos negativos e significativos para toda a região, em particular os países vizinhos”, afirmou em nota.

Reação internacional

O Chile, além do Grupo de Lima, se manifestou pelas redes sociais, através do presidente Sebastián Piñera. O chefe de Estado chileno afirmou que o país não reconhece a reeleição de Nicolás Maduro e destacou que “as eleições na Venezuela não cumprem com os padrões mínimos de uma verdadeira democracia. Não são eleições limpas e legítimas e não representam a vontade livre e soberana do povo venezuelano”.

Assim como o Chile, o Panamá também usou as redes sociais para criticar as eleições da Venezuela. Segundo a postagem do governo federal panamenho, o pleito eleitoral venezuelano não foi “democrático” e nem “participativo”.

Os Estados Unidos se manifestaram através das redes sociais do vice-presidente americano, Mike Pence. Com duras críticas ao governo venezuelano, Pence afirmou que “a eleição da Venezuela foi uma farsa”. Categorizando o mandato de Maduro como uma “ditadura”, o vice-presidente garantiu que “os EUA não ficarão de braços cruzados enquanto a Venezuela se desfaz”.

O presidente da Espanha, Mariano Rajoy, usou o Twitter para manifestar a insatisfação com o processo eleitoral da Venezuela nas eleições do último domingo. Dessa forma, o chefe de Estado espanhol prometeu que “a Espanha estudará, junto com seus sócios europeus, as medidas oportunas e seguirá trabalhando para diminuir o sofrimento dos venezuelanos”.

Apoio internacional

As eleições da Venezuela, no entanto, também receberam apoio de diferentes países do mundo. A Rússia, através do site do Kremlin, parabenizou o presidente Nicolás Maduro pela sua vitória nas eleições.

O chefe de Estado russo, Vladimir Putin, “desejou a Nicolas Maduro boa saúde e sucesso na resolução dos problemas sociais e econômicos que seu país enfrenta, bem como na promoção do diálogo nacional no interesse de todo o povo venezuelano”. Além disso, Putin também reafirmou a disponibilidade da Rússia para continuar a “cooperação com a Venezuela na agenda bilateral e internacional”.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, usou as redes sociais para parabenizar o triunfo da Venezuela “ante o golpismo e intervencionismo do império norte-americano”. Cuba, através de uma nota divulgada pelo chanceler Jorge Arreaza, assinada pelo ex-presidente cubano Raúl Castro, também parabenizou a vitória de Maduro no pleito, destacando a determinação dos venezuelanos para “defender o legado de Chávez”.

O Irã, através do porta-voz de Relações Exteriores, Bahram Qasemi, foi mais um país a prestar o seu apoio a Venezuela e parabenizar o presidente Nicolás Maduro pela sua reeleição. Além disso, Qasemi exaltou a “grande vitória” do governo federal venezuelano ao “realizar as eleições presidenciais apesar da pressão interna e das ameaças e sanções estrangeiras”.

O governo de El Salvador, através de uma nota publicada no site do Ministerio del Poder Popular para la Comunicación e Información (MIPPCI), parabenizou o presidente Maduro pela sua reeleição. Além disso, o comunicado exalta o “desenvolvimento pacífico e exemplar das eleições”.

A China, por sua vez, adotou uma postura mais central, não parabenizando, mas também não fazendo críticas às eleições venezuelanas. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lu Kang, afirmou que “as partes envolvidas devem respeitar a decisão do povo venezuelano”, conforme noticiou o jornal português Diário de Notícias.

Fontes:
G1-Grupo de Lima condena eleição na Venezuela e diz que países convocarão embaixadores
Folha de São Paulo-Brasil e outros 13 países da região não reconhecem eleição na Venezuela

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