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CRISE HUMANITÁRIA

Mais de dez migrantes saltam ao mar na costa da Itália

Navio de ajuda humanitária está atracado próximo à costa da Itália há 19 dias, mas governo italiano se recusa a receber novos imigrantes. Entenda o caso

Mais de dez migrantes saltam ao mar na costa da Itália
Situação expõe batalha do governo italiano com migrantes (Foto: Barça Foundation/Twitter)

Mais de dez migrantes africanos, que tentam chegar à Itália, se atiraram ao mar em direção ao porto de Lampedusa, no sul da Itália, nesta terça-feira, 20. Os migrantes estavam em um navio da Open Arms há 19 dias. Ao todo, cerca de 100 pessoas estão a bordo.

A embarcação tenta chegar ao porto para levar os migrantes à terra. No entanto, o governo italiano ainda não concedeu permissão para o navio atracar. Isso porque a Itália argumenta que assumiu muita responsabilidade com migrantes africanos que chegam à Europa, por isso proibiu a chegada de navios particulares de resgate. A proibição partiu do ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini.

Os relatos dos migrantes se atirando ao mar foram feitos pela Open Arms, uma organização espanhola sem fins lucrativos, entre a noite da última segunda-feira, 19, e a manhã desta terça-feira, 20. Pelas redes sociais, a organização afirmou, em um primeiro momento, que um homem havia pulado na água. Em seguida, informou que outras nove pessoas tinham se lançado ao mar.

Mais tarde, outras duas pessoas teriam pulado da embarcação para tentar chegar à Itália. Em seguida, sem citar números, a Open Arms revelou que mais pessoas estavam se atirando ao mar. “A bordo, a situação está no limite”, informou a Open Arms. Antes disso, no último domingo, 18, o fundador da Open Arms, Oscar Campos, postou um vídeo nas redes sociais com migrantes na água. “Avisamos há alguns dias, o desespero tem limites”, escreveu Campos.

Entenda o caso

O navio da Open Arms está atracado nas proximidades do porto de Lampedusa, na Itália, há 19 dias. No último domingo, 18, a entidade espanhola já havia chamado a atenção para a “crise humanitária completa” na qual se tornou a situação a bordo da embarcação.

Inicialmente, 150 migrantes embarcaram no navio no dia 1º de agosto, na costa da Líbia. Desde então, a embarcação tenta atracar na ilha de Lampedusa, mas encontra resistência do governo italiano.

O ministro do Interior, Matteo Salvini, do partido de extrema-direita Liga, se recusa a permitir o desembarque dos migrantes, expondo a intensa batalha que trava com grupos de ajuda humanitária. No último sábado, 17, porém, o governo italiano cedeu parcialmente, permitindo que menores de idade desacompanhados chegassem até Lampedusa.

Diante da situação, a Espanha informou que ia despachar um navio para escoltar a embarcação da Open Arms até a ilha de Maiorca. Porém, a viagem do navio deveria durar mais três dias, enquanto a situação no barco da Open Arms se intensifica. A entidade espanhola afirmou que a situação é crítica e a viagem seria longa demais.

Além da Espanha, a França também se ofereceu receber parte dos migrantes que estão no navio. De acordo com Olivier Gerstlé, porta-voz do Ministério do Interior francês, o país poderia receber 40 pessoas.

A recepção integraria um acordo de distribuição de migrantes entre seis países europeus. No entanto, o navio da Open Arms teria que, primeiro, atracar no porto italiano para que depois as pessoas fossem distribuídas entre outros países.

Fontes:
Reuters-Tensão aumenta em navio de imigrantes na costa da Itália e 10 saltam no mar
The Washington Post-Desperate migrants jump off rescue ship, seeking Italy
The New York Times-Migrant Ship Stranded Off Italy in ‘Crisis,’ Aid Group Says

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