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Crise de refugiados

Mais uma vez, a Alemanha assume o comando da Europa

Crise de refugiados colocou o país, mais uma vez, no centro de um drama europeu, como ocorreu no caso da dívida grega e no embate entre a Rússia e Ucrânia

Mais uma vez, a Alemanha assume o comando da Europa
Angela Merkel se vê obrigada a tomar as rédeas da situação (Foto: Flickr)

Quando o governo da Hungria ordenou o fechamento da estação de trem de Keleti, em Budapeste, para impedir que centenas de imigrantes viajassem para outros países da União Europeia (UE), os refugiados iniciaram o coro “Alemanha, Alemanha”. O país era para onde muitos deles pretendiam seguir.

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A atual crise de refugiados colocou a Alemanha novamente no centro de um drama europeu, como ocorreu na crise da dívida grega e no embate entre a Rússia e a Ucrânia. O país se vê agora obrigado a tomar as rédeas da situação, por sua riqueza, tamanho e pela falta de liderança de Bruxelas e de outros países da União Europeia.

Enquanto a Alemanha luta para encontrar uma solução para a crise humanitária, uma familiar dinâmica vem à tona: Berlim obrigando seus parceiros a acatar leis que nem todos estão dispostos a seguir.

“A Ucrânia, a questão da Grécia e agora o problema dos refugiados mostram quão poderosa a Alemanha se tornou na Europa, contra sua própria vontade, o quão central é o governo alemão na solução das grandes questões europeias. Acho que a chanceler não está feliz com esse papel e preferiria que outros colaborassem ou assumissem a liderança”, disse ao New York Times, Christoph Schult, da revista alemã Der Spiegel.

Enquanto no caso da dívida grega, quando Angela Merkel, junto como ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, foi acusada de frieza, egoísmo e “falta de senso europeu”, a crise de refugiados colocou a chanceler em um lugar de destaque, elogiada por seu humanitarismo e “espírito europeu”.

Segundo Daniela Schwarzer, diretora do centro de pesquisa German Marshall Fund “após a Grécia, a questão dos migrantes abriu espaço para a Alemanha ganhar moral e credibilidade outra vez”.

“Com a Grécia e Schäuble, houve muita conversa internacional sobre como a Alemanha perdeu suas crenças europeias, mas agora a Alemanha tem a chance de provar o oposto”, diz Daniela.

Alguns gostariam que Merkel fosse além, fazendo um grande discurso sobre a Europa ou até visitando centro para refugiados em outros países. Mas isso não é algo fácil de fazer, dada as divisões de opiniões que a questão dos refugiados criou nos membros da UE.

“Merkel está em uma posição incômoda. Ela não quer que a Alemanha tome a liderança, com todo o seu histórico e tamanho. Não algo confortável para ela. Mas aqui estamos, ela deve fazer isso. Não há outra saída”, diz Schult.

Fontes:
The New York Times-Migrant Crisis Gives Germany Familiar Role in Another European Drama

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