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Avanço islamita

Mali pode virar um novo Afeganistão

Segundo prefeito de uma cidade ocupada pelos integristas, sem ajuda militar de outros países, Mali se transformará num viveiro de terroristas

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Desde a invasão dos islamitas, o norte do Mali foi submetido ao caos. É o que afirma em entrevista à revista Les Inrockuptibles o prefeito de Gao, Sadou Diallo, que passou esta semana por Paris para alertar a comunidade internacional.

“Desde o dia 30 de março, os 78 mil habitantes da minha cidade vivem atrocidades diárias”, conta. “Como os arredores da cidade foram minados, a população virou refém”.

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Com a cabeça a prêmio, Diallo acabou se refugiando em Bamako. Ele conta que os islamitas destruíram e pilharam todos os bens públicos e privados da cidade, e que a destruição de monumentos sagrados também está traumatizando a população, por se tratar de uma eliminação da identidade cultural. Uma intervenção militar é urgente, segundo ele, “para salvar a população de seu sofrimento, mas também por causa do risco de doutrinamento terrorista”.

Sem ajuda, o Mali já mostrou que dificilmente resistirá: as cidades do norte caíram sem combater e, segundo especialistas, é preciso esperar pelo menos cinco anos para que um exército oficial do Mali esteja em condições de defender o país.

“Não há necessidade de esperar a autorização do governo do Mali (…), é preciso intervir”, diz. “Estou lançando um grito à França para que ela reproduza o que fez na Líbia, que era uma colônia italiana”.

O ex-prefeito acredita que, se não houver intervenção, o Mali tem tudo para virar um novo Afeganistão, dominado por integristas.

“Se deixarmos esta zona fortemente muçulmana nas mãos dos integristas religiosos, não poderemos nunca mais voltar atrás”, prevê. “Não dou dois meses para que a região se torne um santuário do terrorismo, ainda mais perigoso do que aquele que vimos no Afeganistão. O MNLA e o Ansar Dine recrutam jovens de 16 anos. Já existem sete campos de treinamento terroristas na minha cidade e outros três em Tombouctou que recrutam menores. A região tornou-se um viveiro para os jihadistas”.

Fontes:
Les Inrockuptibles - “Le Mali en voie d’afghanisation”

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