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Marine Le Pen corta relações políticas com seu pai, Jean-Marie

O rompimento ocorreu depois que Jean-Marie deu uma entrevista a um jornal de extrema-direita, na qual ele reafirmou comentários depreciativos sobre o Holacausto e defendeu Philippe Pétain

Marine Le Pen corta relações políticas com seu pai, Jean-Marie
Nesta semana, houve o primeiro rompimento total entre pai e filha após uma entrevista ao jornal de extrema-direita 'Rivarol' (Reprodução/Claude Truong-Ngoc/Wikimedia Commons)

A presidente do partido de extrema-direita da França, Marine Le Pen, anunciou um corte de relações políticas com seu pai, Jean-Marie, depois que ele fez comentários depreciativos sobre o Holocausto e defendeu Philippe Pétain, líder do partido nazista francês e colaborador do regime de Vichy nos anos 1940.

Em um ataque sem precedentes contra seu pai, ela deu o primeiro passo para retirá-lo do partido que ele mesmo fundou. Marine emitiu um comunicado à imprensa avisando que se opõe à candidatura de Jean-Marie Le Pen às eleições regionais no sul da França.

“Jean-Marie Le Pen parece ter caído em uma estratégia de algum lugar entre terra queimada e suicídio político”, ela disse. “Seu status como presidente honorário não dá a ele o direito de desviar a Frente Nacional com provocações vulgares aparentemente destinadas a me causar danos, mas que infelizmente atinge todo o movimento.”

Jean-Marie Le Pen fundou a Frente Nacional em 1972 e sob sua direção, o partido se tornou o partido xenófobo de extrema-direita de maior sucesso na Europa Ocidental. Quando sua filha caçula, Marine, assumiu o partido anti-imigrante em 2011, ela tentou se livrar da imagem autoritária do partido e das conotações antissemitas.

Polêmica do Holocausto

Até agora, pai e filha tinham evitado cair numa disputa familiar. Jean-Marie foi uma figura emblemática do partido e teve um papel honorário no topo. No entanto, nos últimos dias, ele perdeu isso com comentários sobre o Holocausto.

Primeiramente, ele usou uma entrevista para defender seu ponto de vista. Ele declarou pela primeira vez, em 1996, que as câmaras de gás usadas para matar judeus no Holocausto foram “simples detalhes na história da Segunda Guerra Mundial”, um comentário, pelo qual ele foi originalmente condenado e multado por incitar o ódio racial. Ele também tem uma condenação por contestar crimes contra a humanidade depois de dizer que a ocupação nazista na França não foi “particularmente desumana”.

Marine disse que ela “discordou profundamente”, e que ele estava sendo deliberadamente provocativo. Ela já tinha se distanciado do pai em junho depois de uma piada sobre um cantor francês judeu que incluía uma referência implícita aos incineradores dos campos de concentração.

No entanto, nesta semana, houve o primeiro rompimento total entre pai e filha após uma entrevista ao jornal de extrema-direita Rivarol, na qual ele reafirmou seus comentários depreciativos sobre o Holocausto e defendeu Philippe Pétain. Marine Le Pen disse que iria convocar uma reunião de alto escalão no partido “para discutir… a melhor forma de proteger os interesses políticos da Frente Nacional”.

 

Fontes:
The Guardian-Marine Le Pen in political attack on her father after he belittles Holocaust
Publico-Marine anuncia corte de relações políticas com o pai, Jean-Marie Le Pen

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