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PROVÍNCIA DE KASAI

Massacre em província no Congo já deixa três mil mortos

Relatório aponta que, desde outubro do ano passado, 3.383 pessoas foram mortas na província de Kasai

Massacre em província no Congo já deixa três mil mortos
Guerra entre etnias, exército mal treinado e existência de milícias agravam a situação (Foto: Google Maps)

Nesta semana, um relatório da Igreja Católica da República Democrática do Congo informou que 3.383 pessoas foram mortas na província de Kasai desde outubro do ano passado. Segundo a instituição, os assassinatos foram cometidos pelo exército nacional, pela Bana Mura, uma milícia alinhada com o governo, e pelo Kamuina Nsapu, um grupo armado ligado ao principal partido de oposição.

A alta taxa de mortes suscitou investigações independentes na Organização das Nações Unidas. No entanto, a situação de Kasai não recebeu a devida atenção internacional. Na província, a maioria da população é pobre e depende da agricultura. Além de ser um local difícil de chegar, a ameaça de violência ajudou a manter os ativistas e jornalistas longe.

Ainda não está claro como a Igreja Católica coletou os dados. No entanto, mais de 1,3 milhões de pessoas estão deslocadas por causa do conflito. Investigadores das Nações Unidas também disseram ter descoberto pelo menos 42 valas comuns, além de diversos vilarejos destruídos. Investigadores da ONU disseram ter vistos crianças pequenas com membros amputados, além de bebês com feridas de machete e queimaduras severas.

O governo rejeitou a possibilidade de uma investigação independente. O chefe de Direitos Humanos das Nações Unidas, Zeid Ra’ad Al-Hussein, disse que a investigação do governo em relação aos crimes é “insuficiente”.

A guerra entre etnias acontece na República Democrática do Congo há décadas. A região de Kasai é o cenário mais brutal dos conflitos. Para piorar, além do exército do país ser mal treinado e mal pago, os militares ainda costumam estar ligados a milícias.

Outro agravante é que o presidente Joseph Kabila se recusa a deixar o poder. Kasai é formado, em sua maioria, por grupos étnicos que nunca tiveram poder na República Democrática do Congo, eles são contra Kabila.

Em março, dois investigadores das Nações Unidas foram sequestrados e mortos em Kasai. Michael Sharp e Zaida Catalan estavam procurando a existência de valas comuns. O governo concluiu que o Kamunia Nsapu era responsável pelas mortes. No entanto, vários ativistas e jornalistas que assistiram uma gravação de suas execuções, divulgado pelo governo, levantaram dúvidas sobre a história.

Fontes:
The Washington Post-Massacres and mutilations in Congo have left more than 3,000 dead since October, reports say
BBC-DR Congo Kasai conflict: 'Thousands dead' in violence

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