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FILIPINAS

Medidas populistas de Duterte ainda não afetaram a economia

A economia das Filipinas continua forte apesar das medidas imprevisíveis e populistas do presidente Rodrigo Duterte

Medidas populistas de Duterte ainda não afetaram a economia
Até o momento, as autoridades do governo conseguiram controlar os excessos populistas de Duterte (Fonte: Reprodução/Wikimedia Commons)

Em assuntos econômicos, como em outras áreas, Rodrigo Duterte, o presidente das Filipinas, não se cansa de exibir atitudes populistas. No início deste mês, para a consternação de grande parte de seu ministério, ele assinou uma lei abolindo as taxas de matrículas cobradas a estudantes de universidades estaduais. Quando lhe perguntaram como o governo arcaria com essa despesa, Duterte respondeu: “Não sei, encontraremos uma solução”. No mesmo enfoque populista, prometeu limitar os contratos temporários de trabalho de cerca de 30% dos filipinos. E, em abril, anunciou um plano para suspender importações de arroz, com o objetivo de ajudar os agricultores locais.

Mas apesar de algumas medidas de grande impacto econômico como a extinção da taxa cobrada aos estudantes universitários, que poderá custar entre 30 bilhões de pesos (US$ 588 milhões) a 100 bilhões de pesos por ano, a maioria das políticas econômicas radicais de Duterte é neutralizada ou arquivada por funcionários do governo antes de afetarem a economia, disse Filomeno Santa Ana, do instituto de pesquisa Action for Economic Reforms. “Os economistas neutralizam o populismo do presidente”, acrescentou.

A economia das Filipinas é uma das mais fortes do Sudeste Asiático. No ano passado, o crescimento econômico teve um aumento de 6,8%, uma taxa superior à de Cingapura e da Malásia. Segundo as estimativas do Banco Mundial, a economia das Filipinas crescerá em um ritmo semelhante neste ano e em 2018. Uma população numerosa e jovem fluente em inglês, um legado da colonização dos EUA, estimula o crescimento econômico. Os filipinos que trabalham no exterior como empregados domésticos, enfermeiros e garçons, entre muitas outras atividades, enviam cerca de US$ 31 bilhões por ano às suas famílias, uma quantia equivalente a mais de 10% do PIB.

Até o momento, as autoridades do governo conseguiram controlar os excessos populistas de Duterte. Quando anunciou que iria suspender as importações de arroz, os funcionários da Autoridade Nacional de Alimentos, órgão encarregado de garantir o suprimento adequado de produtos básicos e de manter os preços estáveis, não hesitaram em afirmar que os filipinos comem arroz, porém poucos o cultivam e, assim, a redução das importações prejudicariam mais pessoas do que beneficiariam os agricultores. Por fim, Duterte mudou as regras referentes às importações para reduzir o papel do Estado. Em uma posição mais conciliatória, as reformas do mercado de trabalho foram bem menos radicais do que as previstas no início do governo e atingiram, sobretudo, distorções mais evidentes nos contratos de curto prazo.

A reforma tributária para custear os investimentos em infraestrutura é uma prioridade do governo. O sistema de transporte urbano em Manila é caótico e as estradas e aeroportos decadentes precisam de investimentos urgentes. O presidente Duterte pretende aumentar os gastos com infraestrutura de 5,2% do PIB no ano passado para 7,4% em 2022. Seus planos incluem a construção de uma ferrovia em Mindanao, uma ilha ao sul do arquipélago e a reforma do aeroporto Clark, ao norte de Manila.

O ministro da Economia, Carlos Dominguez, já aumentou o déficit orçamentário de 2% do PIB para 3% para custear esses investimentos. Em longo prazo, os recursos orçamentários adicionais se originariam das novas leis da reforma tributária, que em tese arrecadariam 375 bilhões de pesos por ano até 2020.

É possível que a força política de Duterte acelere a aprovação desses projetos. Mas diante de sua imprevisibilidade, os políticos, empresários e investidores mantêm uma atitude cautelosa. O presidente herdou um país próspero. Quase um ano depois, a economia das Filipinas ainda não foi afetada pelas medidas erráticas e populistas de Duterte. Talvez isso seja um sinal que apesar de seus discursos bombásticos, Duterte às vezes escuta seus ministros e assessores.

Fontes:
The Economist - The Philippine president’s zany ideas have not hurt the economy

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2 Opiniões

  1. laercio disse:

    O grande trabalho deste presidente foi o extermínio do estímulo ao deficiência de drogas.
    Traficante deve ser no mínimo tratado como vermes! No mínimo! Mas o recomendado mesmo é não haver perca de tempo e sim pena de morte aos traficantes…

  2. Murilo de Avila Peres disse:

    O papel do ministério é justamente aconselhar e auxiliar o presidente. Se ele desistiu de medidas que seriam ruins, é mais um mérito do que um demérito e isso parece o inverso de uma política populista.

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