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Transferências de dinheiro

Mercado africano de remessa sob ameaça

As preocupações ocidentais com a lavagem de dinheiro estão ameaçando um serviço fundamental para milhões de africanos

Mercado africano de remessa sob ameaça
Africanos já pagam mais do que qualquer outro grupo de imigrantes para mandar dinheiro para casa (Fonte: Reprodução/Eyevine)

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O Barclays, um banco comercial de grande porte, anunciou que fechará as contas de cerca de 250 empresas de transferência de dinheiro. O banco afirmou que a decisão se baseou numa análise jurídica de rotina. Alguns agentes de remessas “não oferecem as garantias necessárias para permitir a detecção de lavagem de dinheiro”, afirma o banco, ou poderiam estar financiando terroristas “inadvertidamente”.

Muitos bancos europeus ficaram apreensivos com tais transferências de fundos após o governo americano ter forçado no ano passado o HSBC a pagar US$1,19 milhão em um acordo de compensação devido a controles de prevenção de lavagem de dinheiro supostamente falhos. O impacto da decisão do Barclays será sentido por toda a África. Sem as contas, os agentes de transferência não poderão operar e seus negócios nos vizinhos da Somália, Quênia e Etiópia, também poderão ser prejudicados.

Estima-se que 40% da população da Somália dependa de dinheiro enviado do exterior. Um estudo recente mostrou que três quartos dos receptores precisam do dinheiro para pagar por itens de necessidade básica, como comida e remédios.

Até agora as atenções se concentraram na Somália, onde anos de conflitos aniquilaram os bancos e não deixaram alternativas reais para a realização de transferências de dinheiro de baixo custo. Mas as 250 empresas advertidas pelo Barclays também incluem algumas que atuam na Nigéria e Gana, bem como na Índia e em Bangladesh. Competidores mais sofisticados e com serviços mais caros como o Western Union podem vir a se beneficiar. Uma redução da competição no mercado africano de remessas pressionará os preços para cima. Os africanos já pagam mais do que qualquer outro grupo de imigrantes para mandar dinheiro para casa.

Alguns observadores estão sugerindo a criação de novas instituições que possam substituir os bancos privados. Uma sugestão é fundar um “banco de remessas” abrigado pela ONU ou outra agência multilateral. Outra é o estabelecimento de um código de conduta que regule a atividade de agentes de remessas, bancos e reguladores.

Texto da revista Economist editado para o Opinião e Notícia.
Tradução: Eduardo Sá

Fontes:
The Economist - African money transfers: Let them remit

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