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ALEMANHA

Merkel critica atos ‘detestáveis’ de violência contra imigrantes

Manifestações ultradireitistas têm ganhado às ruas nas últimas semanas contra a política migratória adotada pela Alemanha

Merkel critica atos ‘detestáveis’ de violência contra imigrantes
Um relatório policial revela atos de violência de manifestantes contra migrantes (Foto: Wikimedia)

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, condenou os protestos de extrema-direita, que acontecem no leste do país, com gritos nazistas e cenas de violência. Para Merkel, “não há desculpas” para os atos “detestáveis” dos ultradireitistas, que atacam os imigrantes. As manifestações têm acontecido há três semanas.

Merkel discursou no Parlamento alemão durante o debate do orçamento para 2019. Ela foi acusada pelo líder da Alternativa para a Alemanha (AfD), Alexander Gauland, que é anti-imigração, de dividir a Alemanha com a sua política migratória, o que colocaria em risco a paz no país. Ademais, disse que as evidências de que ultradireitistas estão perseguindo imigrantes na rua são controversas.

Em sua defesa, a chanceler disse que reconhece a raiva devido à morte de um homem em Chemnitz, que supostamente foi esfaqueado por dois requerentes de asilo, mas reforçou que não há desculpas para os “casos de violência, slogans nazistas e hostilidade”. Ademais, garantiu que os autores dos ataques, sendo imigrantes ou não, serão punidos, como prevê a Justiça.

“Estamos especialmente preocupados pelos delitos graves em que os supostos autores são solicitante de asilo. […] Isso não nos surpreende… e esses delitos devem ser investigados, os autores devem ser levados ante a Justiça e punidos com toda a severidade da lei”, garantiu Merkel.

Um relatório policial feito reforça as alegações de Merkel, afirmando que extremistas de direita perseguiram estrangeiros nas ruas da Alemanha. O documento aponta que os ultradireitistas usavam máscaras e, armados com pedras, procuravam os estrangeiros.

O restaurante judeu Schalom, que fica em Brühl, foi atacado, com Uwe Dziuballa, dono do estabelecimento, sendo ferido por uma pedrada. “Fora da Alemanha, seu porco judeu” foram as palavras ecoadas pelos manifestantes. Um dos homens que participou do ataque ao restaurante era segurança em um abrigo de refugiados em Chemnitz. Assim que sua identidade foi revelada, ele foi demitido.

Devido à crise migratória, o governo de Merkel tem enfrentado críticas de ambos os lados. Parte dos políticos acusa a chanceler de não conseguir lidar com as consequências de Chemnitz, enquanto outros a criticam pela política migratória adotada pela Alemanha.

Mesmo assim, Merkel parece ainda contar com o apoio do Parlamento. Wolfgang Schäuble, líder da casa, defendeu a decisão do governo tomada em 2015, quando a Alemanha permitiu que mais de 1 milhão de refugiados entrassem no país. Em entrevista a uma rádio, Schäuble negou que tenha sido um erro, mas sim que o país auxiliando quem precisava de ajuda.

Fontes:
The Guardian-Merkel condemns far-right outbreak in passionate address
G1-Angela Merkel repudia atos de violência e palavras de ordem nazistas

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