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Mudanças climáticas

Metas climáticas não devem impedir que aumento da temperatura global supere os 2ºC

Cientistas afirmam que as propostas anunciadas por China, EUA e Brasil não serão suficientes para limitar o aumento do aquecimento global ao número acordado

Metas climáticas não devem impedir que aumento da temperatura global supere os 2ºC
Degelo no Ártico. Aquecimento global deve aumentar além do limite acordado (Foto: Ralph Lee Hopkins/National Geographic Creative)

Os compromissos assumidos até agora pelos maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa não serão suficientes para evitar que o aumento da temperatura global supere os 2ºC. Segundo cientistas, com temperaturas em média 2ºC mais altas, tempestades extremas, secas, escassez de alimentos e de água e a elevação do nível do mar serão a nova norma.

Os Estados Unidos prometeram reduzir suas emissões de 26% a 28% até 2025 a partir dos níveis de 2005. Segundo o Observatório do Clima, rede que reúne 37 organizações da sociedade civil brasileira, essa meta deve enfrentar a resistência do Congresso de maioria Republicana nos EUA e não será suficiente para limitar o aquecimento a 2ºC.

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Ao contrário dos EUA, o Brasil ainda nem divulgou suas propostas para a próxima grande cúpula do clima da ONU, em Paris, no fim do ano. A meta de restaurar 12 milhões de hectares em florestas, anunciada por Dilma em Washington nesta terça-feira, 30, é vista como um bom começo, embora especialistas afirmem que é preciso restaurar duas vezes isso.

Cientistas também apontam que o anúncio de Dilma para energia: atingir 28% a 33% de renováveis na matriz energética em 2030, excluindo hidrelétricas, não representa uma mudança importante, já que as renováveis excluindo hidrelétricas já respondem por 28% da matriz, segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema). A “novidade” anunciada por Dilma para o setor energético, portanto, significa manter as coisas como estão, dizem cientistas.

Nesta terça-feira, 30, a China anunciou que pretende reduzir em até 65% suas emissões de gases de efeito estufa por unidade do PIB até 2030 em relação a 2005. Entre as ações previstas, o país pretende investir US$ 6 bilhões em energias renováveis e no reflorestamento.

O plano foi recebido como um esforço significativo pelo acordo do clima de Paris, mas, segundo o Climate Action Tracker, um consórcio que avalia as contribuições nacionais, as emissões da China devem continuar a aumentar até 2030, passando de cerca de 11 bilhões para cerca de 14 bilhões, um aumento que equivale a duas vezes o que o Brasil emitiu em 2013.

 

Fontes:
The New York Times - US and Brazil agree on climate change actions
Observatório do Clima - Dilma frustra apelo por ambição no clima

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