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VIOLÊNCIA

México registra 112 assassinatos de políticos em nove meses

Os cartéis de drogas do México são suspeitos de envolvimento em muitos assassinatos políticos

México registra 112 assassinatos de políticos em nove meses
A maior parte dos homicídios ocorre em locais dominados por facções criminosas (Foto: Max Pixel)

Às vésperas das eleições, previstas para o dia 1º de julho, o México viu mais um político ser assassinado. Desde setembro do ano passado, já foram 112 políticos mortos em todo o território mexicano, segundo a consultoria de risco Etellekt.

O assassinato mais recente ocorreu na última sexta-feira, 8, quando o candidato a deputado federal Fernando Purón foi assassinado com um tiro na cabeça enquanto tirava uma foto com um potencial eleitor. O político tinha acabado de deixar um debate.

Já no último domingo, 10, a candidata a vereadora Rosely Magaña foi baleada durante uma tentativa de homicídio dentro de sua própria casa. Criminosos em motocicletas atiraram contra a residência, enquanto a candidata se reunia com outro membro do partido PRI.

Os novos casos de violência expõem ainda mais o problema que o México está enfrentando com a segurança pública. Apenas em 2017, 29.168 pessoas foram assassinadas, segundo dados do governo mexicano, divulgados pelo jornal Guardian em janeiro deste ano. Já no primeiro trimestre de 2018, foram assassinadas 7.667 pessoas, de acordo com números atualizados do governo do México.

“Você assume a delinquência de frente – você não teme, você chama pelo que é. […] Infelizmente, nem todos os que estão no poder fazem o seu trabalho – alguns até estão em conluio com criminosos”, teria dito Purón durante o debate, segundo o Guardian.

Ainda não se sabe ao certo o motivo da morte de Fernando Purón, mas acredita-se que o crime organizado mexicano possa estar envolvido. Isso porque Purón foi prefeito da cidade de Piedras Negras e recebia muitas ameaças. Na época, o político andava com 10 guarda-costas devido ao seu embate com o grupo criminoso Los Zetas.

Os cartéis de drogas do México são suspeitos de envolvimento em muitos assassinatos políticos. A maior parte desses homicídios ocorre em locais conhecidos pelo predomínio de facções criminosas.

Apenas no início de junho, outros três candidatos políticos foram mortos em menos de 24 horas. Pamela Terán, foi assassinada no último dia 2 de junho. Mais tarde, no mesmo dia, Iraís Maldonado e Erika Cazares foram encontrados mortos dentro de um carro. As autoridades descartaram a hipótese de tentativa de roubo.

No fim de maio, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, repudiou todos os atos de violência que estão ocorrendo no país, principalmente os de cunho político. “Vivamos com convicção democrática a disputa eleitoral, enriquecendo o debate e a pluralidade de idéias, mas sempre com base no respeito e na liberdade. Tenho certeza de que todos nós queremos o melhor para o nosso país”, afirmou Nieto.

 

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Fontes:
The Guardian-Mexico candidate shot while posing for selfie as killings of politicians continue
Estado de Minas-Violência cresce no México, com 7 mil assassinatos em três meses

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