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México: presidente Enrique Peña Nieto enfrenta a maior crise de seu governo

O fato de 43 estudantes terem sido sequestrados e executados pelo Estado causou revolta no país e fez os manifestantes pedirem reformas na polícia mexicana

México: presidente Enrique Peña Nieto enfrenta a maior crise de seu governo
Protesto na capital Cidade do México pede justiça aos 43 desaparecidos (Reprodução/Internet)

O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, enfrenta a maior crise de seu governo desde que foi eleito, em 2012. O desaparecimento de 43 estudantes, possivelmente mortos por policiais na cidade de Iguala, no estado de Guerrero, desencadeou uma violenta onda de protestos no país, cuja adesão é cada dia maior.

Leia mais: Polícia mexicana é acusada de matar 43 estudantes

Na última terça-feira, 12, manifestantes incendiaram a sede do partido do presidente, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), em Guerrero. Na segunda-feira, 11, amigos dos estudantes desaparecidos fecharam o acesso ao aeroporto de Acapulco, cidade turística também localizada em Guerrero.

Nos últimos dias, políticos têm sido os maiores alvos dos manifestantes. Alguns chegaram a ser agredidos em público por membros do Frente Revolucionária Popular (FRP), uma ramificação radical do PRI cujas táticas são similares às adotadas pelos Black Blocs brasileiros nos protestos de 2013.

Pressão por reformas na polícia

No dia 26 de setembro deste ano, estudantes de uma escola de Ayotzinapa confiscaram um ônibus para viajar à cidade vizinha de Iguala, onde pretendiam arrecadar fundos paras seus estudos. Porém, após serem detidos pela polícia, os estudantes nunca mais foram vistos.

Com base em relatos de testemunhas, a maior suspeita é que os jovens tenham sido executados por policiais de Iguala e do município vizinho de Colula. De acordo com a investigação, os agentes têm ligação com o cartel de drogas local conhecido como Guerreros Unidos.

No início do mês, o Procurador-Geral mexicano, Jesús Murillo Karam, revelou depoimentos de três detidos que confessaram participação no caso. Segundo eles, os membros do cartel foram encarregados pela polícia de “cuidar dos estudantes”, que foram massacrados e tiveram os restos mortais queimados.

Ainda segundo os detidos, a ordem para sequestrar os jovens partiu do ex-prefeito de Iguala, Jose Luis Abarca, e de sua esposa, Maria de Los Angeles Pineda. Abarca temia que os jovens invadissem um evento público de sua esposa, que pretendia disputar a Prefeitura local nas próximas eleições. Abarca e sua esposa foram presos do início deste mês.

O fato dos 43 estudantes terem sido sequestrados e executados pelo Estado causou revolta no país e fez os manifestantes pedirem reformas na polícia mexicana.

Fontes:
Folha-Onda de protestos no México faz políticos serem alvos de radicais
Financial Times-Mexicans have had enough as Iguala galvanises opinions
O Globo-Manifestantes incendeiam sede do partido do presidente Peña Nieto em Guerrero
Estadão-Depoimentos sugerem que estudantes desaparecidos foram massacrados no México

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