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Construções offshore

Mil e uma utilidades para plataformas marítimas desativadas

De prisões a atrações turísticas, plataformas marítimas aposentadas são alvo de projetos mirabolantes

Mil e uma utilidades para plataformas marítimas desativadas
O debate sobre como reaproveitar plataformas de petróleo não vai desaparecer tão cedo (Foto: Wikipédia)

Nos próximos anos, milhares de plataformas marítimas de petróleo e gás, muitas delas construídas durante os anos 1970 e 1980, terão de ser aposentadas. Governos precisarão afundá-las, removê-las do mar ou usá-las para outras finalidades.  Não faltam ideias sobre usos alternativos para essas estruturas gigantes. Prisões de segurança máxima, casas particulares, escolas de mergulho, centros de piscicultura, estações para moinhos de vento? As opções são infinitas, e algumas delas já começaram a ser exploradas.

Ao contrário das gerações anteriores de plataformas offshore, que eram menores e ficavam mais perto da costa, as que precisarão ser desativadas agora são maiores, mais numerosas e se espalham por todo o globo. A maioria está velha demais para qualquer uso industrial pesado, como perfuração, mas não precisa, necessariamente, ser retirada do mar por completo.

As companhias de petróleo e gás geralmente preferem afundar suas plataformas velhas porque essa é a solução mais barata. Muitos cientistas apoiam essa estratégia, argumentando que as plataformas submersas se transformam em habitats marinhos, que são menos prejudiciais ao meio ambiente do que seria removê-las. Alguns críticos, no entanto, argumentam que os oceanos não devem ser tratados como ferro velho, e que o metal das estruturas, alguns abrangendo o espaço de vários campos de futebol, podem contaminar os oceanos.

As águas ao longo da costa da Malásia estão sendo observadas de perto porque mais de 400 plataformas construídas lá há duas décadas terão de ser desativadas nos próximos meses.
Uma dessas plataformas, convertida em escola de mergulho e hotel a quase um quilômetro da costa de Bornéu, dá uma boa ideia da gama de possibilidades e desafios de qualquer empreendimento sobre uma estrutura dessas. Na Seaventures Dive Rig não há mosquitos, moscas, ou areia para estragar o equipamento de mergulho e não é preciso arrastá-lo por longas distâncias. Por outro lado, o mar pode ser um lugar sem lei, e a plataforma está localizada em uma região remota e perigosa.

Em outros países, grupos dos mais diversos estão de olho nessas plataformas desativadas. Uma organização de arquitetura com sede em Londres criou um concurso para escolher o melhor projeto de uma prisão construída em uma plataforma desativada. Outros já propuseram a compra de plataformas para criar comunidades isoladas para escapar do caos urbano, das multidões, do crime, da poluição e, talvez, para sair do alcance de certas leis e impostos inexistentes em águas internacionais.

O debate sobre como reaproveitar plataformas de petróleo não vai desaparecer tão cedo. E na medida em que as empresas exploram lugares cada vez mais remotos e extremos, como o Ártico, os desafios das plataformas em idade de aposentadoria devem ficar ainda mais complexos.

Fontes:
The New York Times - Vacation in Rome? Or on that Oil Rig

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