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MARCHA DO QUIPÁ

Milhares marcham contra o antissemitismo na Alemanha

Agressão a dois jovens que usavam quipá em Berlim desencadeia manifestações de apoio aos judeus e contra o antissemitismo na Alemanha

Milhares marcham contra o antissemitismo na Alemanha
Manifestação em Berlim, na Alemanha (Foto: Twitter/@ChildrenofPeace)

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Na última quarta-feira, 25, milhares de pessoas foram às ruas na Alemanha em apoio à comunidade judaica. Os manifestantes usaram quipás, chapéu característico dos judeus.

As manifestações ocorreram em Berlim, Colônia, Erfurt, Magdeburg e Potsdam. De acordo com a polícia, quase 2,5 mil pessoas de diferentes religiões se reuniram perto do Centro Comunitário Judeu, no distrito de Charlottenburg, em Berlim. “Hoje, todos nós vestimos quipás. Hoje, o quipá é símbolo de uma Berlim como queremos e na qual todos gostamos de viver”, disse o prefeito de Berlim, Michael Müller.

Os protestos ocorreram após um ataque contra dois jovens que usavam quipás, em Berlim, na semana passada. Adam, de 21 anos, cidadão israelense de família árabe, e Salah (24), cidadão alemão de raízes marroquinas, que se descreve como ateu, tinham ganhado quipás de presente e resolveram usá-los para experimentar como era usar um símbolo judeu em público. Três homens os atacaram verbalmente, sendo que um deles tirou o cinto e tentou chicotear Adam, que estava filmando o incidente.

O principal suspeito é um requerente de asilo sírio de 19 anos. O episódio provocou indignação na Alemanha e foi condenado pela chanceler Angela Merkel. Este foi o mais recente episódio de incidentes antissemitas que têm levado judeus a se preocuparem com sua segurança na Alemanha. Segundo as autoridades, 1.453 incidentes antissemitas ocorreram em 2017 na Alemanha. Em 2016, foram 1.469 e, em 2015, foram 1.366.

As manifestações ocorrem num momento político em que a população se preocupa com a influência do partido de extrema-direita Alternativa para Alemanha (AfD), a maior oposição no Parlamento. Sua plataforma anti-imigração e anti-islâmica recebeu 12,6% dos votos. Na comunidade judaica, o partido é controverso. O antigo líder do partido no estado de Thuringia, Björn Höcke, foi expulso depois de condenar a presença de um memorial do Holocausto em Berlim.

“Os judeus, agora, enfrentam uma extrema-direita emergente assim como uma nova forma de antissemitismo que é resultado da imigração do mundo árabe. Alguns opositores da política de refúgio de Merkel estão usando os recentes incidentes antissemitas para atacar sua política. Alguns apoiadores de sua política de portas abertas negam que a imigração de países de maioria muçulmana e o antissemitismo estejam relacionados”, diz o cientista político Marcel Dirsus, da Universidade de Kiel, à rede CNN.

 

Leia também: Antissemitismo avança no mundo

Fontes:
DW-Alemães vestem quipá em protestos contra antissemitismo
CNN-Germans of all faiths in 'wear a kippa march' against anti-Semitism

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1 Opinião

  1. jayme endebo disse:

    antissemitismo é doença incurável

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