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Rohingya

Minoria islâmica de Mianmar sofre perseguição de budistas

Os rohingyas são umas das minorias mais perseguidas no mundo, e nunca lhes foi permitido obter a cidadania em Mianmar, ou em outro país

Minoria islâmica de Mianmar sofre perseguição de budistas
A situação dos rohingyas é cada vez mais dramática (Reprodução/Flickr)

Arkam tinha 12 anos quando viu uns homens baterem na cabeça de seu pai com um tijolo e, em seguida, matá-lo com uma faca. A família voltava para casa depois de um culto na mesquita em Rakhine, um vilarejo na região ocidental de Mianmar, quando uma multidão armada com pedras bloqueou o caminho. Seus vizinhos budistas tinham dado ordens para que parassem de praticar o islamismo. O assassinato foi um castigo por não renegarem a fé.

Agora com 18 anos, Arkam vive em um contêiner em um canteiro de obras nos arredores de Kuala Lumpur, capital da Malásia, com sete rohingyas, todos refugiados de Mianmar; assim como eles, centenas de refugiados vivem em contêineres empilhados como se fossem camas beliches de dois andares de altura ao longo de um caminho enlameado.

De dia ganham um pouco menos de um salário mínimo como operários na construção de um bloco de apartamentos, cujo esqueleto semiacabado veem acima de seu acampamento improvisado; e à noite compram comida e roupas de vendedores ambulantes que param em frente. Seus contêineres são bem iluminados e razoavelmente limpos, mas o ar é impregnado do cheiro de esgoto.

Os rohingyas são umas das minorias mais perseguidas no mundo, e nunca lhes foi permitido obter a cidadania em Mianmar (onde cerca de 1,1 milhão vive em Rakhine), ou em outro país. Arkam é um exemplo do número crescente de rohingyas que estão fugindo da perseguição em Mianmar e procuram refúgio na Malásia, Indonésia e Tailândia. No primeiro trimestre deste ano 25 mil pessoas, entre rohingyas e bengaleses embarcaram em botes para atravessarem a baía de Bengala. A imagem de centenas de homens, mulheres e crianças esqueléticos amontoados nos barcos velhos e enferrujados dos traficantes capturou a atenção do mundo inteiro. No entanto, há anos que os rohingyas fogem das perseguições; em torno de 100 mil rohingyas vivem na Malásia atraídos pela prosperidade do país e a herança islâmica.

Desde 2012, quando 140 mil rohingyas foram confinados em campos de refugiados em condições miseráveis, depois de terem sido hostilizados pelos budistas locais, a situação deles é cada vez mais dramática. Embora os traficantes inescrupulosos estejam sempre à caça de passageiros para seus barcos, na verdade, a perseguição terrível que os rohingyas sofrem em Rakhine é o motivo principal de arriscarem suas vidas nas travessias marítimas.

Os grupos de defesa de direitos humanos advertem que a situação em Rakhine é tão desesperadora que, nas palavras do Simon-Skjodt Centre do Holocaust Memorial Museum dos Estados Unidos, que luta para combater o genocídio no mundo, os rohingyas “correm o grave risco de sofrerem mais atrocidades e até mesmo a ameaça de um genocídio”.

Fontes:
The Economist-The most persecuted people on Earth?

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