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Mitos sobre a Revolução Francesa

Na véspera do aniversário da queda da Bastilha, cinco mitos sobre a revolução são desmentidos

Mitos sobre a Revolução Francesa
A memória do antigo papel da Bastilha fez com que sua queda ganhasse uma importância simbólica (Foto: Wikimedia)

Neste dia 14, a Revolução Francesa completa 246 anos. Mas mesmo tanto tempo depois da queda da Bastilha, o assunto ainda encanta muitos historiadores. Para marcar a famosa data, o Washignton Post contou a história por trás de cinco mitos da revolução que ainda hoje estão vivos na memória de muitos.

1) A famosa frase da rainha Maria Antonieta sobre os pobres: “Se não tem pão, comam brioches”

Apenas três anos atrás, o New York Post não apenas repetiu o mito como disse que isso “supostamente culminou na Revolução Francesa”. Na verdade, a rainha nunca fez este comentário. Várias versões atribuíaram a frase a vários dirigentes franceses antigos. A afirmativa também aparece no famoso “Confissões” de Jean-Jacques Rosseau, que foi escrito antes mesmo de Antonieta se casar com o futuro Luis XVI, o que expressava uma difundida convicção popular de que a corte real, que era apaixonada pelo luxo, não entendia nem se preocupava com os pobres que passavam fome.

2) A revolução Francesa foi uma revolta dos oprimidos

Apesar de vários romances como “Uma história de duas cidades” de Charles Dickens mostrarem a revolução como uma vingança dos pobres contra os opressores aristocratas, os mais pobres da população tiveram uma pequena participação na batalha, que começou entre nobres ricos e profissionais em reuniões em Versalhes, semanas antes da queda da Bastilha.

3) A guilhotina foi inventada na Revolução Francesa

No imaginário popular, nada representa melhor a revolução do que a guilhotina, que se tornou o principal método de execução pública.O mecanismo era atribuído ao doutor Joseph-Ignace Guillotin. Foi na revolução que a guilhotina começou a ser usada, mas não foi Guillotin que a inventou. Na verdade, ele até se opôs a pena de morte, e defendeu uma execução humana e indolor por uma máquina de decapitação como um primeiro passo para a abolição total deste tipo de pena. Mecanismos similares foram desenvolvidos séculos antes. O uso da guilhotina se manteve na França até o final de 1977.

4) Maximilien Robespierre era um ditador sanguinário

Robespierre foi apenas um dos doze membros do Comitê de Segurança Pública, que exerceu poderes quase ditatoriais durante menos de um ano entre 1793-1794. Ele foi o mais influente membro do comitê e seus escritos e discursos basicamente definiram a ideologia do terror. No entanto, as incessantes demandas das políticas revolucionárias resultaram em um custo mental e físico para ele, ainda mais quando o terror chegou em seu clímax. Ele passou semanas confinado em sua cama. Sua condição mental instável e sua falta de habilidade para exercer o controle ditatorial durante os eventos, resultou na sua queda e execução.

5) Os revolucionários invadiram a Bastilha para libertar os prisioneiros políticos que estavam lá

É verdade que durante os séculos XVII e XIX, a monarquia francesa aprisionou centenas de supostos escritores subversivos, o que incluiu Voltaire. No entanto, em 14 de julho de 1789, apenas sete prisioneiros estavam na Bastilha: quatro falsificadores, dois loucos e um nobre acusado de perversão sexual. Na verdade, as multidões parisienses marcharam para lá para pegar a pólvora armazenada com o intuito de se armar contra o exército real. Mas, a memória do antigo papel da Bastilha fez com que sua queda ganhasse uma importância simbólica.

 

Fontes:
The Washington Post-5 myths about the French Revolution

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