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A moderna caça ao tesouro no oeste americano alimenta fantasias

O tesouro escondido de um colecionador de arte leva esperançosos ao oeste, para as montanhas Rochosas, em busca de fortuna

A moderna caça ao tesouro no oeste americano alimenta fantasias
Estima-se que 100 mil pessoas percorreram as montanhas em busca de seu tesouro escondido nos últimos seis anos (Foto: Pixabay)

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Em meados do século XIX, milhares de americanos partiram para o oeste em busca de ouro. Hoje, os que ambicionam encontrar um tesouro vão para as montanhas Rochosas, onde Forrest Fenn, um colecionador de arte octogenário, diz ter escondido uma caixa de bronze com moedas de ouro, peças chinesas de jade, joias com esmeraldas e outras preciosidades, entre as quais duas pepitas de ouro “grandes como ovos de galinha”. Fenn disse que teve a ideia de esconder o tesouro há quase 30 anos, quando foi diagnosticado com um câncer de rim agressivo e lhe disseram que suas chances de sobrevivência eram pequenas.

Ao longo dos anos, ele vendeu obras de arte para pessoas como o ator Steve Martin e o ex-presidente Gerald Ford em sua galeria em Santa Fé, Novo México, e adquiriu uma coleção de arte invejável. Fenn decidiu guardar todos os objetos de sua coleção que pudesse transportar e levá-los para seu lugar preferido nas montanhas Rochosas, onde havia escolhido morrer. A única maneira de encontrá-lo e seu tesouro seria a solução de um enigma que deixaria como legado após sua morte.

Por fim, Fenn se curou do câncer, mas continuou firme em sua ideia de esconder o tesouro. “Quando escondi o tesouro há uns seis anos, o país estava mergulhado em uma recessão profunda. Quis dar uma esperança aos que quisessem procurar o tesouro”, explicou Fenn, sentado em um escritório com estantes cheias de bonecas kachinas, mocassins enfeitados com pedras coloridas feitos pelos índios e livros ilustrados. Em 2010, sem avisar a esposa e as filhas, Fenn foi para as montanhas ao norte de  Santa Fé, onde vive em uma casa de adobe e colocou a caixa de bronze “nas piscinais naturais de águas termais”.

Em sua autobiografia Thrill of the Chase, publicada no final de 2010, ele escreveu uma poesia de seis parágrafos, com nove pistas sobre o local do esconderijo da caixa. Ele concluiu a poesia com o seguinte texto: “Ouçam-me com atenção, valerá a pena enfrentar o frio. Se forem corajosos para entrar na floresta, eu lhes darei o direito de ficar com o tesouro.”

Com base no número de pessoas que o contactaram, Fenn calcula que até 100 mil pessoas percorreram as montanhas em busca de seu tesouro escondido nos últimos seis anos. Alguns fanáticos como Cynthia Meachum, uma aposentada que mora em Albuquerque, procura a caixa quase o tempo inteiro. Outros são mais indiferentes quanto à busca e usam a poesia de Fenn mais como uma forma de explorar um objetivo na vida.

Com a finalidade de se beneficiar com a recompensa da descoberta do tesouro de  Fenn, o estado de Novo México incluiu a participação do negociante de arte em um de seus vídeos promocionais (o vídeo foi exibido 400 mil vezes no YouTube). No ano passado, o prefeito de Santa Fé criou o dia do “Thrill of the Chase” e em junho a cidade promoveu a conferência “Fenn-boree”, com a duração de um fim de semana para caçadores de tesouros. Além de um jantar no qual cada convidado levou um prato para compartilhar com os demais participantes e informações triviais sobre Fenn, a conferência apresentou algo quase tão emocionante para os caçadores como a descoberta da cobiçada caixa de bronze: uma breve aparição de Forrest Fenn.

Fontes:
The Economist-Treasure-hunting in the American West

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