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'NARCOAVIÕES'

Militares peruanos não coíbem ‘ponte aérea’ do narcotráfico

A droga é carregada em pequenos aviões monomotores que pousam em regiões próximas a bases militares sem serem incomodados

Militares peruanos não coíbem ‘ponte aérea’ do narcotráfico
Pequenos aviões monomotores carregam mais de 300 kg de cocaína até a Bolívia (Foto: Wikipedia)

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Uma investigação da Associated Press (AP) revelou detalhes de como cartéis de drogas no Peru estão carregando quantidades enormes de cocaína em pequenos aviões monomotores, sem intervenção do exército. Os pequenos “narcoaviões” sobrevoam uma região próxima a bases militares peruanas, aterrissam em uma pista de pouso de terra, entregam grandes quantias de dinheiro, carregam mais de 300 kg de cocaína e voam de volta para a Bolívia. O processo é repetido cerca de quatro vezes ao dia.

Segundo a polícia peruana, cerca de metade das exportações de cocaína no Peru são feitas através dessa “ponte aérea”, desde quando a nação se tornou líder mundial na produção da droga em 2012.

O governo peruano não consegue impedir o fluxo do tráfico aéreo de cocaína. Procuradores, a divisão da polícia que combate o narcótico, ex-oficiais militares e atuais e ex-agentes anti-drogas dos Estados Unidos afirmam que o problema dos “narcovoos” é uma falha dos militares que controlam a remota região de selva do vale dos rios Apurimac, Ene e Mantaro. Além disso, segundo eles, a corrupção entre militares é algo frequente no Peru

As operações dos traficantes duram em torno de 10 minutos, segundo a AP, e normalmente ocorrem logo após o pôr do sol. Os aviões pousam nas área combinada, os traficantes realizam o carregamento da droga já semi-preparada, com a proteção de homens fortemente armados. Tudo acontece sincronizadamente, como se tivesse sido ensaiado. A cocaína é transportada em aviões Cessna 206 e os carregamentos são avaliados em US$ 7,2 milhões. Um piloto contou para a AP que alguns oficiais militares pedem propina de US$ 10 mil por voo para permitir que os aviões pousem sem serem incomodados.

A preocupação com os voos fez o congresso peruano aprovar uma lei em agosto que autoriza o abate desses aviões carregados de drogas. Mas os críticos dizem que o governo não tem interesse político em combater os traficantes, porque inexplicavelmente desistiu da compra e instalações de radares modernos para a fiscalização.

Fontes:
New York Times - Narco Planes, Millions in Payloads, Fly Past Peru Military

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