Início » Vida » Ciência » Montadoras alemãs são suspeitas de financiar testes em humanos
NOVO ESCÂNDALO

Montadoras alemãs são suspeitas de financiar testes em humanos

As montadoras Volkswagen, Daimler e BMW são acusadas de promover testes do gás dióxido de nitrogênio em macacos e humanos

Montadoras alemãs são suspeitas de financiar testes em humanos
O EUGT queria contrapor uma decisão da OMS, de 2012 (Foto: Pxhere)

A indústria automobilística se vê novamente no olho do furacão após o Grupo de Pesquisa Europeu sobre Meio Ambiente e Saúde no Setor de Transporte (EUGT) promover testes do gás dióxido de nitrogênio em macacos e humanos. Isso porque o grupo estaria sendo financiado pelas empresas Volkswagen, Daimler e BMW.

De acordo com o New York Times, os testes estariam sendo realizados em 10 primatas na cidade americana de Albuquerque. Enquanto isso, a imprensa alemã noticiou que o EUGT estaria realizando o experimento em humanos em um laboratório em Aachen, perto da fronteira com a Holanda.

As montadoras de automóveis alemãs, que não negaram o financiamento ao EUGT, afirmaram que não sabiam que tipo de experimento o grupo estava fazendo. A Daimler, que fabrica os carros Mercedes-Benz, disse estar “consternada pela extensão dos estudos e sua implementação.

A Volkswagen se manifestou imediatamente através do Twitter, garantindo que “se distancia explicitamente de todas as formas de abuso de animais”. Além disso, a montadora alemã pediu desculpas pelos experimentos “completamente absurdos” feitos pela EUGT. “Nós sabemos que os métodos científicos usados pela EUGT estavam errados e nos desculpamos sinceramente”, disse a montadora.

Entenda o caso

O jornal New York Times publicou uma matéria na última quinta-feira, 25, afirmando que os experimentos do EUGT queriam contrapor uma decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2012, que apontava a fumaça do escapamento de automóveis como cancerígena.

Com isso, em 2014, o grupo usou 10 macacos, expondo-os a fumaça de escapamento em uma câmara fechada, em Albuquerque, nos EUA. Os modelos usados nos testes seriam os mesmos que foram adulterados para burla sistmas de medição de níveis de poluição.

No último final de semana, a imprensa alemã revelou que 19 homens e seis mulheres inalaram fumaça de diesel em outro teste conduzido pela EUGT, dessa vez em um laboratório em Aachen, na Alemanha. As pessoas foram expostas a diferentes níveis de concentração de fumaça do combustível, que contém óxido de nitrogênio tóxico. O resultado do estudo teria sido publicado em 2016.

Na época, as montadoras afirmavam que a tecnologia permitia a redução da poluição de escapamento de automóveis a diesel. No entanto, foi descoberto que os dispositivos instalados pela Volkswagen eram fraudados, resultando no escândalo conhecido por “dieselgate”.

Dessa forma, os exames eram manipulados para parecer que a emissão de gases era menor do que realmente ocorria. Com isso, acredita-se que mais de 10 milhões de carros foram adulterados. Com a fraude descoberta, a montadora registrou prejuízo e viu diferentes executivos serem presos pela Justiça.

No entanto, contrapondo o que a EUGT quis provar, um estudo recente do pesquisador alemão Ferdinand Dudenhöffer mostrou que a poluição por diesel está muito maior em dez cidades alemãs. De acordo com a pesquisa, mudanças nos softwares dos automóveis não serão o suficiente para lidar com o problema.

O governo alemão se mostrou insatisfeito com a realização dos experimentos ocorrendo no país, exigindo maiores detalhes sobre os testes feitos. “Esses testes em macacos ou mesmo em humanos não podem ser justificados do ponto de vista ético, de forma nenhuma”, afirmou o porta-voz do governo Steffen Seibert.

A ministra do Meio Ambiente da Alemanha, Barbara Hendricks, foi além, chamando os testes de “abomináveis”, afirmando estar chocada com os cientistas que concordaram com os experimentos. Stephan Weil, político social-democrata e membro do conselho de supervisão da Volkswagen, disse que a pesquisa foi “absurda e abominável”.

Por outro lado, o pesquisador Frank Kelly, da universidade King’s College London, do Reino Unido, explicou que o patrocínio de empresas à pesquisa é problemático, pois “há dúvidas sobre sua validade e, portanto, sobre sua ética”. No entanto, Kelly revelou que centenas de voluntários já participaram de estudos sobre a emissão do diesel.

Chris Carlsten, da Universidade de British Columbia, no Canadá, disse que fazer testes com pessoas ou macacos “não é por si só antiético”, mas admitiu que não é comum fazer testes de poluição com macacos. Carlsten já usou voluntários humanos para estudar o efeito da emissão de diesel, afirmando que “esses estudos são essenciais para apoiar políticas que possam proteger a todos”.

Fontes:
BBC - Montadoras alemãs sob suspeita de financiar testes ‘abomináveis’ com macacos e humanos
DW - Opinião: Montadoras alemãs vão de um escândalo para o outro

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Rogerio Faria disse:

    Os alemães são bons nesse negócio de “câmaras de gás.”

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *