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OBITUÁRIO

Morre Winnie Mandela, aos 81 anos

Segunda esposa do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, Winnie foi símbolo da luta contra o apartheid por décadas

Morre Winnie Mandela, aos 81 anos
Winnie liderou o movimento anti-apartheid durante a prisão de Nelson Mandela (Foto: J. Countess/Getty Images)

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Winnie Madikizela-Mandela, segunda esposa do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, morreu nesta segunda-feira, 2, aos 81 anos. De acordo com o porta-voz da família, Victor Dlamini, ela estava internada desde o início do ano.

Ativista e símbolo da luta contra o apartheid, Winnie nasceu em setembro de 1936 e foi casada com Nelson Mandela entre 1958 e 1996. Ela foi presidente da Liga das Mulheres no Congresso Nacional Africano (CNA), e teve um importante papel na luta contra o apartheid durante a prisão de Mandela, condenado à prisão perpétua em 1964 por sua atuação contra o apartheid.

O casal se separou em 1992, mas o divórcio só ocorreu em 1996, dois anos após Nelson Mandela ser eleito o primeiro presidente negro da África do Sul.

Durante os 27 anos de prisão de Mandela, Winnie assumiu as rédeas do movimento anti-apartheid e se tornou um dos nomes principais do CNA. Nas décadas de 1960 e 1970, ela liderou manifestações, fundou a Black Womens’s Federation e foi presa e torturada na cidade de Brandfort.

Winnie escreveu o livro “491 dias: prisioneiro número 1323/69”, baseado no diário que manteve durante o tempo que passou na prisão em Pretória, entre 1969 e 1970. O livro também inclui cartas trocadas com Mandela, que já estava preso há sete anos.

A partir da década de 1990, escândalos envolvendo Winnie começaram a aparecer. Em 1991, ela foi condenada à prisão por cumplicidade no sequestro de Stompie Moeketsi, um garoto de 14 anos. Os autores do sequestro foram integrantes do Mandela United  Football Club, um clube de futebol, criado por Winnie em 1985, composto por fortes jovens que atuavam como guarda-costas da primeira-dama. Segundo a denúncia, o grupo sequestrou o jovem a mando de Winnie. A primeira-dama foi condenada a seis anos de prisão, mas recorreu da sentença e teve a pena comutada por uma multa de US$ 3 mil.

A história foi revelada no livro Katiza’s Journey (1997), do jornalista britânico Fred Bridgland. Winnie teria mandado, em 1988, que Katiza Cebekhulu, um de seus jovens guarda-costas, se infiltrasse na casa do pastor Paul Verryn, que abrigava jovens negros perseguidos em Soweto.

Ela acreditava que o pastor abusava sexualmente dos jovens, incluindo Katiza, mas nunca foram encontradas evidências. No dia 31 de dezembro, ela teria mandado torturar Katiza, Stompie e outros dois garotos, a fim de arrancar uma confissão dos abusos supostamente perpetrados pelo pastor. Como Winnie suspeitava que Stompie era informante da polícia, ele foi o mais espancado. Dias depois, o garoto foi encontrado morto com um corte profundo na garganta.

Em 2003, Winnie foi condenada por roubos e fraude ligados a empréstimos bancários que ela teria intermediado para membros do CNA. Mas um juiz sul-africano suspendeu a sentença.

Apesar do divórcio, Winnie manteve o sobrenome de Nelson Mandela. Ela deixa duas filhas Zenani e Zindzi, ambas fruto do casamento com o ex-presidente sul-africano.

Fontes:
BBC-Winnie Mandela: South African anti-apartheid campaigner dies at 81
Estadão-Mama África
DN-Winnie Mandela publica livro sobre detenção no 'apartheid'

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