Início » Economia » Morte de procurador argentino divide opiniões
Argentina

Morte de procurador argentino divide opiniões

Suicídio, queima de arquivo ou outra opção?

Morte de procurador argentino divide opiniões
Nisman, autor da denúncia contra a presidente Cristina Kirchner, é encontrado morto (Reprodução/ Marcos Brindicci/ Reuters)

A morte do procurador argentino Natalio Alberto Nisman, que denunciou a presidente Cristina Kirchner no caso do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), vem dividindo opiniões sobre o que realmente aconteceu no banheiro de seu apartamento, no bairro de Puerto Madero, em Buenos Aires.

Nesta segunda-feira, 19, Nisman ia apresentar detalhes da denúncia contra a presidente ao Congresso, que segundo ele, teria encoberto o envolvimento de terroristas iranianos no ataque contra a AMIA. O ataque de 1994, em Buenos Aires, matou 85 pessoas e feriu cerca de 300. Nisman afirmou que o Irã estava por de trás disso, e mais recentemente, disse que o governo argentino estava tentando impedi-lo de provar sua acusação. Nisman foi designado pelo então presidente Néstor Kirchner como procurador especial para o caso AMIA em 2004, investigando o caso durante 10 anos, apesar do crime continuar impune após 20 anos.

O governo de Cristina Kirchner alega que a morte do procurador foi suicídio. Mas segundo dados divulgados pela Globonews, assessores, jornalistas e amigos de Nisman não acreditam nessa hipótese. O Ministério da Segurança emitiu um comunicado afirmando que ele tinha dez policiais federais a sua disposição para segurança, mas que nenhum estava dentro do apartamento na hora do acontecido.

Denúncia

Segundo matéria publicada no Uol, nesta segunda-feira, 19, o procurador contava com gravações de conversas telefônicas entre as autoridades iranianas e agentes de inteligência e mediadores argentinos que, segundo ele, demonstrariam que a Argentina assinou em 2013 um acordo com o Irã para encobrir os suspeitos do atentado contra a AMIA em troca de impulsionar o comércio bilateral e a troca de petróleo por grãos, em um contexto de crise energética no país sul-americano.

O governo negou a denúncia, chamando-o de mentirosa e atribuindo a atuação de Nisman a conflitos internos na Secretaria de Inteligência. Segundo a gestão Kirchner, o acordo bilateral com o Irã era para investigar os próprios acusados de planejar o ataque.

Opiniões divergentes

Segundo artigo do analista político Carlos Pereyra Mele, a morte de Nisman foi noticiada pela imprensa mundial como relativa à luta contra o terrorismo. Ele diz que melhor coisa que poderia acontecer na carreira de Nisman e na daqueles que o “patrocinavam” seria se ele morresse, já que Nisman, apesar de investigar o caso há 10 anos, não tinha uma prova sequer para incriminar o Irã ou os funcionários do governo, nem nenhuma prova sobre sua denúncia contra a Cristina Kirchner por encobrir o possível crime. De acordo com Pereyra, os acusados do atentando ao AMIA seriam “legitimados” com essa morte e ninguém poderia duvidar da culpa do Irã. Nisman se tornaria uma possível bandeira da luta contra o terrorismo islâmico.

Já de acordo com o artigo do Daily beast, o histórico de operações iranianas no exterior não sugere um suicídio como a polícia acredita. Segundo o editor internacional e autor do texto, Christopher Dickey, ainda há ecos perturbadores de 20 ou 30 anos atrás, quando Teerã, em aliança com o Hezbollah, travou uma guerra global contra os inimigos da República Islâmica.

O artigo diz que o “assassinato”, aparentemente suicídio, vai ser objeto de especulação e teorias conspiratórias durante anos, assim como a investigação do caso AMIA, que nunca resultou numa única convicção e foi chamado de “desastre nacional” pelo ex-presidente Néstor Kirchner em 2005.

Christopher Dickey termina o artigo perguntando se Nisman foi assassinado ou se ele decidiu por razões desconhecidas acabar com sua própria vida. No entanto, ele diz que as investigações continuam, desde que ninguém as impeçam.

 

 

Fontes:
G1-Promotor que denunciou Kirchner é encontrado morto em Buenos Aires
Último Segundo-Promotor que investigava Cristina Kirchner na Argentina é encontrado morto
Uol-Promotor argentino que denunciou Cristina Kirchner é achado morto

1 Opinião

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Ficará em suicidio mesmo, ou latrocínio. Qual o Delegado que vai querer investigar isso? de verdade?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *