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SUPOSTO SUICÍDIO

Morte de vereador da oposição gera suspeita na Venezuela

Governo venezuelano afirma que vereador Fernando Albán Salazar, que estava preso, cometeu suicídio, mas oposição acusa o governo Maduro de assassinato

Morte de vereador da oposição gera suspeita na Venezuela
Fernando Albán estava preso desde a última sexta-feira (Foto: Fernando Alban PJ Gremial Nacional/Facebook)

O vereador venezuelano Fernando Albán Salazar, opositor ao governo de Nicolás Maduro, morreu na última segunda-feira, 8, enquanto estava preso em Caracas, na capital do país. O governo afirma que o político cometeu suicídio, enquanto a oposição acusa o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) de assassinato.

Albán, que integrava o partido Primero Justicia, havia sido preso na última sexta-feira, 5, quando chegou ao aeroporto Símon Bolívar, em Caracas, depois de retornar dos Estados Unidos. Assim que pisou em solo venezuelano, foi detido pelas autoridades. O vereador era suspeito de ter participado de um suposto atentado com drones contra a vida de Maduro, ocorrido no início de agosto.

O governo venezuelano afirma que Albán se jogou peja janela do prédio da Sebin quando iria ser levado ao tribunal. No entanto, a oposição não acredita nessa versão, e aponta contradições em depoimentos. Isso porque o ministro de Interior e Justiça, Néstor Reverol, teria dito que o vereador saltou da janela da sala de espera. Já o promotor geral, Tarek William Saab, afirmou que, a caminho do banheiro, Albán teria se atirado da janela do 10º andar do prédio.

A morte de Albán é a terceira, desde 2015, que acontece nas instalações do governo venezuelano. Mesmo com as críticas e acusação da oposição, Nicolás Maduro nega que tenham presos políticos e garante que os direitos humanos não estão sendo violados.

Apesar disso, a oposição insiste em afirmar que a Venezuela mantém presos políticos, e cita como exemplo o caso do deputado Juan Requesens, que está preso desde o dia 7 de agosto. O governo venezuelano acusa Requesens de ter participado do suposto atentado contra a vida de Maduro, fato que a oposição nega veementemente e segue fazendo campanha pela liberdade do político.

Reação internacional

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou uma nota, nesta terça-feira, 9, expressando “grande preocupação” com a morte do vereador venezuelano. Segundo o comunicado, as condições descritas “suscitam legítimas e fundadas dúvidas quanto a eventuais responsabilidades e exigem a mais rigorosa, independente e transparente investigação”.

Já o presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara e do Desenvolvimento Internacional, Michael Levitt, usou as redes sociais para lamentar a morte de Albán, lembrando ainda que o político estava preso, ou seja, sob a responsabilidade do governo quando a morte ocorreu. “O histórico do regime de Maduro de prisão arbitrária, detenção e tortura de presos políticos levanta muitas questões que exigem respostas”, disse Levitt.

A Embaixada dos Estados Unidos na Venezuela também usou as redes sociais para se pronunciar sobre o ocorrido. O órgão prestou condolências aos familiares do vereador, e afirmou que “condena fortemente esta nova violação de direitos humanos”. Ademais, assim como o governo brasileiro, solicitou uma investigação independente sobre o caso.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) afirmou nesta terça-feira que vai investigar a morte do vereador da oposição, segundo informou Ravina Shamdasani, porta-voz da entidade. Os resultados da investigação vão integrar o relatório elaborado pelo Conselho de Direitos Humanos sobre os abusos na Venezuela.

“O Conselho de Direitos Humanos encarregou nosso escritório de elaborar um relatório sobre a Venezuela, por isso, investigaremos todos os aspectos da situação dos direitos humanos no país”, afirmou, segundo noticiou a Agência Brasil.

 

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Fontes:
El País-Político detido por atentado contra Maduro morre em uma delegacia

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