Início » Vida » Ciência » Mudança na composição pode aumentar eficácia de medicamentos
Saúde

Mudança na composição pode aumentar eficácia de medicamentos

Substância que aumenta o prazo de ação dos medicamentos no organismo pode tornar pílulas mais eficazes

Mudança na composição pode aumentar eficácia de medicamentos
A consequência da aprovação do novo remédio seria, em primeiro lugar, menos remédios para ingerir (Foto: Flickr)

Qualquer que seja seu problema de saúde, caso tenha de tomar dois comprimidos por dia em vez de um, é possível que culpe uma reação de seu metabolismo. Antes que os remédios façam efeito, suas substâncias e moléculas passam por um processo de desintegração quando a máquina do corpo tenta eliminá-las. Como resultado, grande parte dessas substâncias e moléculas é expelida pelo organismo antes que o medicamento traga algum benefício.

Mas no mês passado o órgão governamental de controle da indústria alimentícia e do setor farmacêutico dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration, recebeu um pedido de aprovação do novo medicamento SD-809, que poderá ter uma reação mais eficaz contra as barreiras naturais de defesa do organismo. O SD-809 destina-se ao tratamento da paralisia causada pela doença de Huntington, uma afecção genética rara e com consequências terríveis.

Se o remédio for aprovado, será o primeiro passo para a fabricação de um novo tipo de medicamento que, graças às propriedades do deutério, um isótopo pesado e estável do hidrogênio usado, em geral, como moderador de nêutrons em reatores nucleares, evitam a reação metabólica de eliminação de substâncias e moléculas do remédio pelo organismo.

Em muitos casos, a reação metabólica depende da ruptura de compostos orgânicos específicos formados por carbono e hidrogênio. A substituição de alguns dos átomos de hidrogênio de um medicamento pelo deutério pode retardar esse processo e, assim, o remédio terá um efeito mais prolongado e eficaz.

A linha exata entre inovação e evidência ainda será traçada e, portanto, quem mais se beneficiará além dos pacientes com os novos medicamentos, continua uma incógnita. Mas isso não muda um fato básico: o uso de remédios com o acréscimo de deutério logo será generalizado e o resultado será menos comprimidos para engolir.

Fontes:
The Economist - Drugs that live long will prosper

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *