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Mudança na política ditatorial do Equador

Sucessor de Rafael Correa na presidência, Lenín Moreno tem mantido uma postura moderada

Mudança na política ditatorial do Equador
Presidente Lenín Moreno tem sido criticado pelo ex-governante Rafael Correa (Foto: Flickr/Presidencia de la República del Ecuador)

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Em fevereiro Rafael Correa, na época presidente do Equador, comparou a eleição presidencial do país à Batalha de Stalingrado. “Vamos lutar contra as ideologias de direita do mundo inteiro”, disse. Seu candidato, Lenín Moreno, venceu por uma estreita margem de votos o candidato Guillermo Lasso, um banqueiro conservador. No entanto, cinco meses depois de Moreno assumir a presidência, Correa atacou seu antigo aliado chamando-o de “hipócrita” e de “mentiroso compulsivo”, que “desacreditou nossa revolução, um objetivo jamais alcançado pela oposição em dez anos”.

Correa não esperava que Moreno tivesse a coragem pessoal e política de assumir suas posições em um país como o Equador, com 17 milhões de habitantes e um histórico de instabilidade política antes de Correa assumir o poder em 2007, ao lado de outros líderes populistas de esquerda na América do Sul. As importantes reservas de petróleo do Equador, em uma época da alta de preços do barril de petróleo no mercado mundial, permitiram que Correa governasse como um autocrata paternalista. Ele investiu o dinheiro das exportações de petróleo em sua “revolução dos cidadãos”, com a construção de escolas, hospitais e estradas. Porém, era intolerante às críticas, perseguiu opositores e restringiu a liberdade da imprensa.

Com a queda do preço do petróleo em 2014 e o consequente enfraquecimento da economia, a oposição a Correa aumentou. Confiante em seu poder no partido governante Alianza PAIS (AP) e em Jorge Glas, um colaborador íntimo, Correa mudou-se para a Bélgica, país natal de sua esposa.

Ao escolher Moreno, seu vice-presidente no período de 2007 a 2013, como candidato à presidência, Correa apostou em um sucessor com chances de vitória. “Mas Correa sabia que discordávamos em muitos pontos”, disse Moreno à BBC há pouco tempo. E ao manipular essas diferenças em seu benefício, logo Moreno assumiu a liderança política no país.

Ao contrário de Correa, Moreno é um político conciliatório que se aproximou da oposição, de empresários e de grupos influentes da sociedade. Ele incorporou o sentimento de revolta dos equatorianos em relação à corrupção à sua agenda política, o que lhe conquistou o apoio da população. Moreno eliminou quase todos os poderes concedidos a Jorge Glas por Correa e autorizou os promotores públicos a processarem Glas por suspeita de recebimento de suborno da empreiteira Odebrecht. Vinte e quatro funcionários de órgãos do governo atuantes durante a presidência de Correa são acusados de corrupção.

Apesar das afirmações de Correa, Moreno não está liderando um movimento contrarrevolucionário de direita. Um político moderado, as mudanças referentes à economia e à política externa têm sido cautelosas. O Equador ainda é membro da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), uma aliança liderada por Cuba, Venezuela e Bolívia. E Julian Assange, fundador do WikiLeaks, ainda é um asilado político na embaixada do Equador em Londres.

O novo governo do Equador mostra que a transição democrática de um regime populista de esquerda pode ser construtiva e consensual, em oposição à política ditatorial de Nicolás Maduro na Venezuela e do presidente da Bolívia, Evo Morales, dois caudilhos anacrônicos que se agarram ao poder apesar do desgaste político.

Fontes:
The Economist - The virtue of Ecuador’s Leninism

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