Início » Vida » Ciência » Mudanças que permitirão que descobertas científicas se tornem domínio público
Publicações científicas

Mudanças que permitirão que descobertas científicas se tornem domínio público

Projeto visa tornar o acesso a estudos científicos gratuito

Mudanças que permitirão que descobertas científicas se tornem domínio público
Em vez de atuar como julgadora da importância do trabalho científico, a PLOS ONE afirma que garante apenas o rigor científico dos artigos (Reprodução/Getty Images)

Em 2001 em um congresso sobre publicações científicas realizado em Budapeste pelo que à época se chamava Open Society Institute (agora a Open Society Foundation) cunhou a expressão “acesso livre”. O documento oficial do congresso pedia ao mundo que “compartilhasse o conhecimento dos ricos com os pobres e o dos pobres com os ricos, tornando essa literatura o mais útil possível e estabelecendo as fundações para unir a humanidade em um diálogo intelectual comum” – em outras palavras, tornar o acesso a estudos científicos gratuito.

Uma aspiração nobre, embora os pessimistas considerassem que houvesse poucas chances de pô-la em prática. Os ricos, eles diriam, incluem editoras acadêmicas, as quais gozaram de três séculos de dominância sobre a disseminação de trabalhos científicos e que frequentemente atingiam margens de lucro próximas a 40%. Elas, portanto, teriam todos os incentivos para desestimular a mudança.

O pessimismo, no entanto, nem sempre está correto. O movimento de acesso livre cujo crescimento foi fomentado pelo congresso parece irrefreável. Todos os sete conselhos de pesquisa da Grã-Bretanha, por exemplo, requerem hoje em dia que os resultados dos estudos que financiam tenha acesso livre de alguma maneira. E até 2016 todos os recursos públicos concedidos às universidades britânicas pelo governo contarão com o mesmo requerimento.

A publicação de acesso livre na verdade começou em 2000, um ano antes do congresso de Budapeste, com o lançamento, na Grã-Bretanha, do BioMed Central, e, nos EUA, da Public Library of Science (PLOS). O modelo de negócios do acesso livre transfere os custos de produção do periódico dos assinantes, tais como bibliotecas universitárias, para os próprios pesquisadores, que pagam uma taxa de processamento de artigo (TPA) para que suas pesquisas constem nas edições impressas ou em seus equivalentes eletrônicos. De qualquer modo o contribuinte paga a conta no final, mas as publicações de acesso livre tornam as pesquisas mais disponíveis, o que é um bem público em si.

Em vez de atuar como julgadora da importância do trabalho científico, a PLOS ONE afirma que garante apenas o rigor científico dos artigos. Com menos esforços dedicados à revisão por pares, a PLOS ONE publica muito mais artigos (em 2013 a plataforma publicou mais de 31.000 artigos, 36 vezes mais que o segundo periódico PLOS mais prolífico) ao mesmo tempo em que cobra menos por eles, tornando-se uma empreitada lucrativa que ajuda a financiar suas outras atividades.

Fontes:
The Economist-Grand openings

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *