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Desastres no mar

Mulheres e crianças primeiro?

A sobrevivência a bordo do Titanic é célebre por seu desequilíbrio de gênero, mas pesquisa mostra que priorizar crianças e mulheres em naufrágios é a exceção à regra

Mulheres e crianças primeiro?
Cena do filme 'Titanic", que estreia hoje em versão 3D (Divulgação)

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O desastre do Titanic não perdeu nem um pouco de seu charme um tanto mórbido, ainda que o seu centenário, a ser comemorado no dia 15 de abril, esteja cada vez mais próximo. A televisão está repleta de documentários, há o inevitável relançamento do célebre filme de 1997 de James Cameron (cuja nova versão IMAX 3D está em cartaz), e as lojas de presentes estão ocupadas bolando novos e ocasionalmente macabros souvenirs.

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Os economistas também estão interessados. A sobrevivência a bordo do Titanic é célebre por seu desequilíbrio de gênero: aproximadamente três em cada quatro mulheres sobreviveram, e quase a metade das crianças, mas apenas 20% dos homens e da tripulação. As regras sociais, um importante alicerce da economia, parecem estar presentes até nas circunstâncias mais extremas. Ou deveríamos dizer as regras sociais britânicas? O recente desastre do Costa Concordia na costa da Itália, no qual o capitão abandonou o seu navio a naufragar, suscitou discussões a respeito do cavalheirismo britânico ao mar.

Um novo e oportuno estudo da Suécia tenta esclarecer um pouco mais a questão. Mikael Elinder e Oscar Erixson da Universidade de Uppsala observaram 18 naufrágios em tempos de paz a respeito dos quais foi possível encontrar dados detalhados. Os resultado são surpreendentes. As mulheres tiveram chances menores de sobrevivência em 11 dos 18 eventos. Em apenas dois navios ser mulher foi uma vantagem: no Birkenhead em 1853 e no Titanic. As maiores chances de sobrevivência, um tanto surpreendentemente,  pertenciam em média à tripulação, seguidas por ninguém mais ninguém menos que o capitão. As crianças tiveram as menores chances.

Então o Titanic é apenas uma exceção à regra? Ou há outros fatores que possam explicar a diferença entre as taxas de sobrevivência? Várias possibilidades podem ser consideradas: se o navio naufragou rapidamente, se o naufrágio aconteceu antes ou depois da Primeira Guerra Mundial, se o capitão deu a ordem para evacuar mulheres e crianças primeiro – e se o navio era inglês. Os pesquisadores testaram todas essas diferentes explicações.

O total do tempo de evacuação não parece importar para a sobrevivência das mulheres, ao contrário do que a comparação entre o Titanic (naufrágio lento) e o Lusitania (naufrágio rápido) sugere. Nos naufrágios posteriores à Primeira Guerra Mundial as chances de sobrevivência das mulheres são um pouco maiores.

O que parece realmente importar, contudo, é o comportamento do capitão. Caso ele dê a ordem de evacuar mulheres e crianças primeiro, as chances desse grupo aumentam consideravelmente. E como sabemos através de testemunhas oculares (e através do filme), essa ordem não só foi dada, como enfiada goela abaixo dos viajantes do Titanic. Finalmente, o resultado traz más notícias para a ideia do cavalheirismo britânico: surpreendentemente, as mulheres se deram melhor em navios não ingleses.

 

Fontes:
The Economist - Women and children first?

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