Umas poucas balas foram suficientes. Mas os tiros que mataram Osama bin Laden na calada da noite de 2 de maio, em uma fortaleza nas proximidades de Islamabad vieram após 15 anos de uma busca incessante, duas longas guerras no Iraque e no Afeganistão, mais de US$ 1 trilhão gastos e cerca de 150 mil mortes. É uma carga pesada para a vida de um único homem.
O presidente norte-americano Barack Obama irá saborear o momento que conseguiu com muito custo. Um guerreiro relutante em outras frentes, Obama não se intimidou na caçada aos soldados e comandantes da Al Qaeda, e a seu líder. O presidente preferiu um ataque direto contra Bin Laden a um bombardeio aéreo a sua mansão, como gostariam alguns de seus conselheiros, e foi bem sucedido. Obama teve sorte, mas ele fez sua sorte – e merece o crédito pelo que quer que surja no seu caminho.
Obama depois teve o cuidado de alertar para o fato de que o islamismo violento continua sendo uma ameaça, mesmo sem a presença de Bin Laden. Os alarmantes problemas no Paquistão, no Iêmen e tantos outros lugares, ameaçam alimentar a violência. E ainda assim, a morte do homem mais procurado do planeta surge justamente quando o islamismo radical parece vulnerável às mudanças que varrem o Oriente Médio e o norte da África. A tarefa agora para todos aqueles que anseiam por um mundo mais seguro é a de isolar a jihad selvagem de Bin Laden da mesma forma que seu criador foi isolado pelas paredes de sua mansão.
O homem que distorceu uma fé
Bin Laden é uma figura importante por ter transformado um apanhado de ressentimentos locais na tóxica e violenta jihad de proporções globais. Sua visão, embora impraticável, de expurgar o islã de seus males, e estabelecer um califado islâmico único era atraente para os muçulmanos ressentidos com a venalidade de suas próprias elites. Seus meios de conquistar esse objetivo incluíam uma orgia de assassinatos e martírio particularmente direcionados contra os “cruzados” do Ocidente, em particular, os Estados Unidos. Infelizmente, esse ponto também foi muito atraente para vários muçulmanos durante um certo tempo. O pacote fica completo quando se leva em conta a história do próprio Bin Laden – um homem que abriu mão de poder e fortuna na Arábia Saudita, viveu de maneira simples, e que parecia quase encantador em sua capacidade de desafiar o maior exército da história.
Terroristas sonham alcançar esse objetivo, e em dois aspectos, Bin Laden conseguiu um sucesso inimaginável. Para muitos, especialmente os não muçulmanos, o papel central que ele reservou para a violência manchou a reputação de todo o islã. Mesmo quando ocidentais passaram a temer os bárbaros e sanguinários muçulmanos, os muçulmanos deploravam os cristãos imperialistas e degenerados. O ódio explorado por Bin Laden prosperou nos dois lados desses grotescos estereótipos.
E ao classificar a luta como um conflito de civilizações, ele conseguiu levar o Ocidente a uma guerra global contra o terrorismo. Os ataques de 11 de setembro de 2001 levaram os Estados Unidos e o Ocidente a uma luta que teve uma preço altíssimo em sangue e dinheiro. Domesticamente, os Estados Unidos despejaram vastos recursos na área de segurança. No exterior, o país foi distraído dos desafios históricos que o poder norte-americano enfrenta na Ásia.
Ao longo do caminho, os Estados Unidos comprometeram os valores que são sua grande força. Isso aconteceu em parte, por acidente, porque a guerra é sempre cruel e confusa, mas também por natureza, por meio da tortura de detidos e o esquecimento de Guantánamo. Ainda não está claro o quanto da morte de Bin Laden pode ser creditado às informações oriundas das sessões de tortura (e provavelmente isso nunca será esclarecido, já que a pista do interrogador que identificou o mensageiro de Bin Laden levou anos para gerar frutos). O que é certo é que sua mensagem se espalhou porque ele podia por em xeque o compromisso norte-americano com a liberdade e os direitos humanos, e afirmar que o país oprimia muçulmanos.
Essa mensagem é suficientemente forte para sobreviver à morte de Bin Laden. Enclausurado em sua mansão, sem internet ou telefone, ele já vinha se tornando uma figura remota. As franquias da Al Qaeda, espalhadas pelo Sahel, pela Península Arábica, e por células ao redor do planeta, agora certamente tentarão provar sua força. A esperança é de que os computadores, CDs e discos rígidos capturados pelas forças especiais norte-americanas durante o ataque atrapalhem esses planos. Mas com o terrorismo sendo o que é, um ataque mais cedo ou mais tarde tem todas as chances de ser bem sucedido.
Falha estratégica
Mesmo que isso aconteça, não deve obscurecer o fato de que a retórica de Bin Laden contra o Ocidente está perdendo o poder de inspirar sua própria gente. Isso em parte reflete o fracasso da violência em conquistar os objetivos que ele traçou para o mundo muçulmano. Apesar de anos de conflitos sangrentos, o modo de vida ocidental continua a avançar sobre os muçulmanos. A jihad não conseguiu expulsar as tropas não muçulmanas dos países islâmicos. Forças ocidentais permanecem no Iraque e no Afeganistão. A Caxemira abriga o exército indiano, e a Chechênia, o exército russo. Israel ainda prospera. Nenhum governo árabe traidor se posicionou a favor do califado.
Mais do que isso, o desejo de Bin Laden de atingir a salvação por meio da matança gerou uma ampla repulsa entre os muçulmanos. Depois que a Al Qaeda massacrou milhares de muçulmanos xiitas e sunitas no Iraque, mesmo os próprios jihadistas passaram a condenar a doutrina do takfir, sob a qual radicais atribuem a si a responsabilidade de declarar outros muçulmanos apóstatas e matá-los. De acordo com uma pesquisa do Pew Research Centre, o apoio a Bin Laden nos territórios palestinos caiu de 72% em 2003 para 34% atualmente. Na Jordânia, a queda foi de 56% para 13%.
Isso ainda deixa um grande número de possíveis recrutas, mas ele se tornaram difíceis de serem encontrados nas revoltas que abalaram o mundo árabe. Até agora, as revoluções árabes marginalizaram a jihad violenta. Quando jovens egípcios lotaram a Praça Tahrir no Cairo, eles queriam direitos, não um califa. Mesmo a Irmandade Muçulmana parece mais inclinada a optar pela sociedade civil, e não pela teocracia.
Mudanças políticas no mundo árabe não serão suaves nem imediatas. Em alguns lugares elas parecem destinadas a dar errado; em outros podem dar espaço ao islamismo linha-dura. E ainda assim, graças à primavera árabe, o islã está frente a frente com sua melhor chance em muitos anos, de se adequar à política criando instituições nas quais as vidas civil e religiosa possam coexistir. Essa seria uma rejeição devastadora à ideologia de luta universal dos muçulmanos, de Bin Laden.
Como encorajar esse processo? O primeiro passo é não se acomodar no contraterrorismo. A Al Qaeda precisará ser detida por muitos e muitos anos. O segundo, é reconhecer que os jihadistas serão, em sua grande maioria, derrotados pelos próprios muçulmanos. Isso significa estabilizar a ascensão dos países muçulmanos, especialmente fora do mundo árabe, onde governos arruinados permitiram que o terrorismo se estabelecesse. Todos são cenários complicadíssimos. Alguns, como a Somália e Mali só poderão, na melhor das hipóteses, trabalhar no processo de contenção. O Afeganistão está suficientemente próximo das retiradas das tropas da OTAN para evitar uma saída apressada. O caso mais preocupante é o do Paquistão. Apesar dos indícios de duplicidade quanto ao esconderijo de Bin Laden, seu programa nuclear é perigoso demais para que os Estados Unidos o abandonem. Para os norte-americanos, é melhor manter o Paquistão perto do que cortar relações.
E por fim há os países árabes. A paz entre Israel e os palestinos ajudaria, mas mais essencial é o apoio ocidental às aspirações da primavera árabe. Quando Bin Laden atacou no 11 de setembro, o Ocidente tinha poucas opções de defesa que não envolvessem um ataque direto a ele e a negociação de acordos faustianos com os governantes opressivos do mundo árabe. Sua morte chegou em um momento no qual a opinião árabe está finalmente caminhando para outra direção. É uma chance boa demais para ser desperdiçada.

DEMOCRACIA X DEMOCRACIA:
Se nos ocidentais nos achamos civilizados e não aprendemos até os dias atuais respeitar tratados internacionais, não é em vão que o mundo caminha para outro povo assumir a supremacia de todo planeta, pois os exemplos que estamos assistindo são no mínimo vergonhoso o que vou falar aos meus netos quando lerem noticias tão contundentes, mais uma vez volto a dizer o governo Americano perdeu oportunidade impar de mostrar ao mundo que aqui no Ocidente o regime “democrático”, da o amplo direito de defesa, mesmo que ao final deste julgamento específico fosse a pena capital (pena de morte),atitude tomada pelas autoridades Americanas se afastou totalmente dos princípios democráticos e do amplo direito de defesa, oxalá Deus de entendimento aos homens para não voltar aos tempos de “olho por olho dente por dente”.
Parabéns pela matéria!
creio que, ao fazer comentários embasados em tendências políticas e similares, esquece-se de uma coisa: e as questões econômicas como ficam? por trás de tudo, sempre há esse tipo de interesse também. e a indústria bélica? sempre que apertar no bolso , haverá alguma mobilização pró-conflitos porque a indústria bélica dá muito lucro. pela seleção natural, sempre sobra o mais forte e, entre os homens, o mais forte, em geral, significa o mais rico e mais bem armado…
O texto é longo e favoravel ao centro do governo Mundial, hoje disputado por Londre com seu filho Americano. Políca é uma coisa complicada e política nas Relações Internacionais é mais complexa ainda. Política é a arte de conquistar e manter o poder. O poder pode ser político (violência), religioso (mentes e corações), economico (conhecimento). Mostra a história que a riqueza sempre fluiu da periferia para o centro de poder mundial. Na prática a riqueza provem de quem tem a capacidade de impor as regras. Numa tática de guerra assimétrica, Bim Laden, usou o poder da violência contra a sede física do Imperio com o objetivo de desencadiar uma violência global, o que conseguiu, está teria como objetivo unir o Mundo Mulçumano num Choque de Civilizações, visto que no Poder Economico e no Poder Político, a Civilização Mulçumana não tem chance de vitória. O ponto fraco da Civilização Mulçumana é justamente a sua divisão em muitas partes, o que a enfraquece internamente. Por outro lado a violência global geral grandes lucros ao poder economico, colocando em dúvida à quem Bim Laden realmente servia.
Esta muito fácil para ser verdade sobre esta paz no oriente-medio.
Quando isso acontecer, pode te certeza que Cristo ja esta voltando,porque se o que a Bíblia fala é verdade, ainda tem muita coisa para acontecer…
O terrorismo é o pior crime contra a humanidade, não se justifica.
E o terrorismo Americano em relação a miséria e a fome no Mundo.
Terror contra terror. E os donos da verdade e do mundo tem como exemplo: Hiroxima, Nagazaki,Vietnã,Ku Klux Klan,Afeganistão,Iraque, New Orleans embaixo d’água em seu território. Junto ao seu maior aliado O Reino Unido:África do Sul, apartheid, Ilhas Malvinas na Argentina…
Morreu mesmo? Tanta certeza na afirmação! Com o Che Guevara, expuseram o corpo depois de lavado. Com este deitaram ao mar? Deitaram que corpo se ele ia embrulhado num lençol branco? Tantas certezas e nenhuma foto, Ver pra crer! Acreditar em politicos e militares, só dá borrada da grossa!
Excelente artigo. Falta, no entanto, deixar bem claro que Árabes não devem ser confundidos com muçulmanos. Precisamos lembras sempre que o útero que gerou este projeto de animal peçonhento, cuja cabeça foi cortada na semana passada, chama-se Islam.
Enquanto não compreendermos que os valores do Islam não casam com os valores ocidentais,judaico-cristãos, qualquer relacionamento com muçulmanos assemelha-se ao relacionamento de um ser humano com um animal feroz. O Paquistão não estava do nosso lado? Como é que ele abrigou este animal feroz durante mais de quatro anos? Estou certo que meu posicionamento é politicamente incorreto, mas precisamos compreender o fato que o Islam definitivamente não fecha com os nossos valores. Acautelemo-nos pois.
Rudy
Opiniões pífias… A melhor foi a da Rosa.
Samuel
Segundo alguns sites o Bin Laden morreu em 2006 vitíma de doenças e não agora, este fato nos leva para o ínico da terrível guerra nuclear que os Illuminates querem e vai começar é uma tristeza para a humanidade que D´us tenha misericordia de todos nós.
Este senhor Reinaldo Lamenza disse tudo o queríamos dizer; esses americanos do norte colhe o que plantam: Terrorísmo, nisso eles são professores, se acham que liquidando o Osama o mundo deles volta a ser o paraiso (que nunca foi) estão enganados muiotas coisa acontecerão, esperamos, para ver!
Senhor Genivaldo, por que escreve D’us e não DEUS?
Samuel
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
OS ESTADOS UNIDOS VÃO PARAR NO GUINES, COMO O PAÍS MAIS MENTIROSO DO MUNDO. BIN LADEN MORREU A MUITO TEMPO ATRAZ, ISSO FOI UMA ESTRATEGIA ELEITOREIRA.
Acredito que quem escreveu esse artigo deve ter recebido verba do Pentágono; pois o menos esclarecido dos homens sabe que, na realidade o que está em jogo não são ideologias religiosas, mas sim o petróleo do Oriente Médio, que o tio san tanto quer e precisa.
Quem escreve assim está contribuindo para um mundo mais perigoso e desigual. E o que é pior, esse tipo de gente e seus sofismas podem levar a humanidade cada vez mais para a desigualdade e o conflito. Ainda bem que Deus existe, e esses mensageiros das sombras logo irão se reunir num planeta que já esta preparado para todos eles. O pantio é livre, mas a colheira é obrigatória.
Aélio Alves
Talvez alguem tenha visto o vídeo, aliás, antigo, em que um engenheiro americano é dacapitado vivo. Caso não tenham visto é um bom exemplo para o significado da palavra terrorismo. O mais impressionante nisso tudo é que essa guerra não é finita, do mesmo modo que ainda há seguidores de Hitler haverá, ainda por um bom tempo, seguidores, em muitos casos dispostos a matar, de Bin Laden. Agora o que resta é eperar pelos próximos mortos.