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Conferência de Copenhague: especialistas apreensivos quanto a resultados concretos

Por Fernanda Dias

12/10/2009 | Enviar | Imprimir | Comentários: 15 | A A A

A menos de dois meses para o início da Conferência de Copenhague — na qual os países tentarão formalizar um acordo sobre as emissões de gases poluentes que substituirá o Protocolo de Kioto — o clima entre os especialistas no setor é de receio e apreensão.  Na visão deles, a redução drástica das emissões de carbono é o ponto chave das negociações, mas conseguir que todos os países participantes estabeleçam metas quantitativas concretas parece ser uma tarefa cada vez mais difícil.

A 15ª Conferência das Partes (COP-15) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima reunirá representantes dos setores público e privado de cerca de 200 países desenvolvidos e em desenvolvimento. Além de estabelecer novos compromissos e incentivos para a redução das emissões de gases do efeito estufa, espera-se que sejam firmados acordos de cooperação científica e financiamentos que incentivem o uso da tecnologia verde e promovam a estabilidade climática.

O professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam) da Universidade de São Paulo (USP) Pedro R. Jacobi explica que a transição ao baixo carbono já acontece em países que se deram conta das oportunidades que isso pode promover e da importância do avanço tecnológico e científico em uma perspectiva de inovação. Ele ressalta que a mesma política já se verifica em empresas de maior porte que veem nisso uma chance de bons negócios. “O grande desafio é avançar para acordos de cooperação para mudanças no paradigma energético e desenvolvimento de tecnologias que coloquem a era do combustível fóssil como algo do passado”, argumenta Jacobi.

Embora tenha expectativas “razoáveis” com relação ao encontro de Copenhague, Jacobi ressalta que não se pode desconsiderar a importância da reunião. “Seria fundamental que se tomassem decisões  ambiciosas, pois isto firmaria uma agenda que enfatizasse a inexorável rota rumo ao baixo carbono. Acordos internacionais que efetivamente avançassem nessa direção seriam um sopro de otimismo”, defende Jacobi.

O presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio, José Goldemberg, lembra que a adesão e o comprometimento dos países ricos é fundamental para que o encontro de dezembro resulte em bons frutos para o clima. “As expectativas para a Conferência de Copenhague são baixas devido ao fato de que a lei americana que estabelece limites para as emissões do país ainda não foi aprovada pelo Congresso. Os Estados Unidos não ratificaram o Protocolo de Kioto e não reduziram suas emissões desde 1992, quando assinaram a Convenção do Clima. Se algo não mudar até dezembro, a Conferência marcha para o fracasso”, ponderou.

A tarefa do Brasil

Jacobi argumenta que a posição do Brasil na reunião do clima é ambígua, pois o país tem o desafio de buscar articular o momento de desenvolvimento em que se encontra com a necessidade de dar respostas que garantam a inserção no pacto ambiental. “Caberá ao Brasil ser muito preciso no que se considera que os países desenvolvidos terão de contemplar nas suas agendas, notadamente a transferência de tecnologia que não transforme os países que dela dependam em reféns do avanço tecnológico. Mas o Brasil também terá de demonstrar que tem uma agenda de desenvolvimento e inovação própria e/ou articulada com os países mais desenvolvidos”, afirmou Jacobi.

O professor do curso de Gestão Ambiental da Escola de Artes Ciências e Humanidades (EACH) da USP Sergio de Almeida Pacca defende que o Brasil deva se unir com os outros países em desenvolvimento para buscar metas de redução que se encaixem com as suas necessidades de desenvolvimento. “O Brasil deve chamar a atenção dos países desenvolvidos que já poluíram muito no passado, mas não deve deixar de admitir que também tem responsabilidade pelas emissões, principalmente por causa do desmatamento”, argumenta Sergio.

E para poder cobrar uma postura dos demais países, o Brasil precisa levar para o encontro a lição de casa feita, segundo o coordenador da campanha de clima do Greenpeace, João Talocchi. Segundo ele, a lição de casa consiste em pelo menos três fatores: a proposta de desmatamento zero até 2015, a garantia de que pelo menos 25% da eletricidade consumida no país seja gerada a partir de fontes renováveis de energia, e uma proteção de 30% das áreas marinhas até 2020. Talocchi lembra, no entanto, que na última terça-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não pode assumir uma meta de desmatamento zero. Na ocasião, Lula disse que “nem que fosse careca o Brasil pode assumir uma meta de desmatamento zero, porque sempre vai haver alguém que vai cortar alguma coisa”. Para Talocchi, além do desmatamento zero, o governo poderia fazer muito mais pelo clima como investir em novas tecnologias limpas em setores como  transporte e agrícola.

“Além da lição de casa, é preciso cobrar uma posição mais ambiciosa dos países desenvolvidos que sempre contribuíram para as emissões e que têm uma responsabilidade histórica. Não basta eles comprarem créditos de carbono, é preciso que também façam uma redução drástica das emissões e que contribuam financeiramente para que os países pobres ou em desenvolvimento possam se adaptar e construir uma economia de baixo carbono”, afirmou Talocchi, que defende ainda que os créditos de carbono sejam feitos por setores da economia e não por indústrias isoladas.

Os avanços e falhas do Protocolo de Kioto:

Em 1997, foi assinado, em Kioto, no Japão, um protocolo com metas para a redução de emissões através do qual os países signatários assinaram um compromisso de reduzirem, entre 2008 e 2012, suas emissões poluentes em pelo menos 5% em relação aos níveis verificados em 1990. Em Copenhague, será discutido o que será feito a partir de 2012. Para o professor Sergio Pacca, o Protocolo de Kioto estabeleceu metas bastante tímidas que ainda assim não foram cumpridas, mas serviu para fomentar um mercado para serviços ambientais que era inexistente no mundo. “Uma redução mais agressiva do maior emissor, os EUA, não foi alcançada e provavelmente esta foi a principal falha do Protocolo de Kioto”.

Já Jacobi ressalta que as metas de Kioto não eram realistas e que os objetivos não foram bem pactuados. Para ele, o avanço foi que o tema continua na agenda. “Apesar do pouco sucesso de diversos países, notadamente os mais desenvolvidos, houve avanços no plano sócio-cultural associados à substituição de fontes de energia fóssil para fontes alternativas, não talvez com a velocidade desejada, mas deixando marcas inquestionáveis”.

Escrito por: Fernanda Dias

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15 opiniões para o artigo: Conferência de Copenhague: especialistas apreensivos quanto a resultados concretos

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Opinião de Loreta
Na data: 18 de outubro de 2009 as 20:27

@CORDEIROVARGAS,
Os EUA tem um programa de substituir o petróleo que possuem para pesquisas pesadas e sérias em energia alternativa. Nós partimos de precursores da energia limpa para o caminho do investimento pesado em petróleo.

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Opinião de Loreta
Na data: 18 de outubro de 2009 as 20:21

Considerando as contradições de dados e projetos entorno da proposta brasileira, temos que temer pela seriedade das propostas deste encontro.

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Opinião de ernesto
Na data: 15 de outubro de 2009 as 8:29

@sérgio,
Está difícil no curto prazo. Os lugares que baniram a propriedade tiveram enormes fracassos. O nosso governo dono da verdade, ou os fanatismos religiosos passarão. Temos que aprender a arte de viver em meio ao um certo caos, até que com acesso à educação possamos separar o que é bobagem do que vale a pena. Se todos na nossa terra tivessem educação, teríamos instituições responsáveis, os líderes seriam os melhores, e o meio ambiente agradeceria. Sabemos que o certo e o errado, o branco e o preto é a crença ainda de alguns. Quando pudermos respeitar as ossas diferenças…

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Opinião de ernesto
Na data: 15 de outubro de 2009 as 8:16

@CORDEIROVARGAS,
Sim, mas o hábito não faz o monge. É verdade que alguns doutores não são excelentes. Já tivemos presidentes medíocres, mas convenhamos Dilma de doutor só tem a arrogância. Sob o seu comando nada deslancha, pela sua centralização estulta, e pela sua falta de delegação. O Brasil avançará independente dos medíocres. Se eu fosse o Lula escolheria outro sucessor. Esta candidata todo mundo já viu a que veio. Se emplacar, afunda os planos de Lula. É só deixá-la falar.

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Opinião de Emoraes
Na data: 15 de outubro de 2009 as 3:52

Sugiro complementar o artigo consultando um verdadeiro especialista no assunto, ou seja, um climatologista em atividade. Que tal o professor Luiz Carlos Molion, pós-doutorado em
meteorologia e representante da América Latina na Organização Meteorológica Mundial?

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Opinião de sérgio
Na data: 14 de outubro de 2009 as 21:37

ainda ei de encontrar um lugar para morar, sem dono de propriedade, sem dono da verdade, é por isso que defendo e respeito o meio ambiente que pede socorro.

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Opinião de Evandro Correia
Na data: 14 de outubro de 2009 as 21:23

Mas Cordeiro, então devia tratar outros de Dr. também, pelo menos FHC que realmente é.

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Opinião de CORDEIROVARGAS
Na data: 14 de outubro de 2009 as 20:28

@Evandro Correia, é apenas uma forma educada de trato, no Brasil chamamos de Dr. até quem não é formado em especialidade alguma, força do hábito. Sds.

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Opinião de Markut
Na data: 14 de outubro de 2009 as 11:25

Que a humanidade está brincando de Aprendiz do Feiticeiro, de que pode não haver volta, não há muita surpresa, dado o volume de interesses em jogo e a cegueira da sua estúpida ambição.
Surpresa ,mesmo, é constatar que ainda haja alguem que acredite em Dilma Roussef, a Doutora,como a nossa salvação. Só pode ser uma bem humorada piada!!!

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Opinião de Evandro Correia
Na data: 14 de outubro de 2009 as 0:31

O colega Cordeiro Vargas fica se referindo a Dilma como “Dra.”. É mentira, Cordeiro, ela mesma foi obrigada a reconhecer que nunca teve doutorado.

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Opinião de CORDEIROVARGAS
Na data: 14 de outubro de 2009 as 0:19

Fica claro que os países desenvolvidos, liderados pelos EUA, não querem assumir apesar da pressão internacional e de suas próprias populações as responsabilidade que lhes cabe sobre a sujeira do planeta, uma vez que foram eles e ainda são os maiores emissores, ou seja vão protelarem o mais possível, o interesse econômico/financeiro está para eles acima de tudo, inclusive da vida. Sds. a todos.

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Opinião de CORDEIROVARGAS
Na data: 14 de outubro de 2009 as 0:08

@Marly, muito cuidado com a maneira que interpreta os estudos científicos, a questão não é o CO² ser vilão, todos nós sabemos que ele é indispensável a vida na terra, porém sim, sua liberação desordenada na atmosfera do planeta. Existe muita gente interessada em derrubar as teses do efeito estufa, há por trás disto muito interesse econômico/financeiro, principalmente dos países ricos, os grandes emissores, estão todos eles financiando uma série de pesquisas, todas objetivando desqualificar os estudos anteriores. Sds.

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Opinião de CORDEIROVARGAS
Na data: 13 de outubro de 2009 as 23:55

@luiz antonio vieira barbi, não entendi seu comentário, uma vez que o Brasil é o país que tem uma das melhores e a mais limpa matriz energética do planeta, além de ter um governo altamente comprometido com o meio ambiente, se você quer censurar, deveria fazer suas criticas direcionadas aos EUA e outras grandes potências econômicas que para defender seus interesses financeiros vendem a própria mãe ao diabo. Quanto a Dra. DILMA, esta merece todo o nosso respeito e consideração, pela mulher, pela mãe, pela ministra, mas principalmente por sua extraordinária capacidade de trabalho e competência, tenho certeza que o Brasil e nós brasileiros estaremos muito bem representados dentro e fora do país se a Dra. DILMA for nossa próxima presidenta. Sds.

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Opinião de Marly
Na data: 12 de outubro de 2009 as 23:25

Olá Fernanda Baldioti, infelizmente ainda não houve tempo de divulgar os Novos Paradigmas Ecológicos, resultado de pesquisa geológica, dentre os quais está o Ciclo da Energia no planeta. O pesquisador brasileiro REVELA o papel fundamental do CO2 na continuação da vida na Terra. De fato, é surpreendente tal revelação porque contesta a idéia vigente de que o CO2 é nocivo ao planeta. Para quem já assistiu a palestra fica claro e evidente que os ambientalistas do Greenpeace estão cometendo um grande equívoco. Basta lembrar que o CO2 é ALIMENTO DOS VEGETAIS e por isso não pode ser considerado um poluente, com é o enxôfre. Lembrar também, que o movimento de rotação do planeta é feito a 460 m/seg, impedindo que qualquer gás possa se acumular na atmosfera terrestre. Outros fatos geológicos evidenciam que o “efeito estufa” é um MITO! Sendo assim, a nossa preocupação deve ser outra, pois “Caso não sejam adotadas medidas urgentes, a FAO previu que cerca de 370 milhões de pessoas poderão passar fome daqui a 40 anos” (VEJA on line), entendeu Fernanda? O nosso pesquisador avisa que PODEMOS E DEVEMOS continuar com as emissões de CO2, se quisermos que a vida continue a existir na Terra!!! Abraço.

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Opinião de luiz antonio vieira barbi
Na data: 12 de outubro de 2009 as 22:29

O QUE DOMINA SEMPRE…LAMENTAVEL…E O EGOISMO, GENEROSA MAE DA ESTUPIDEZ HUMANA!! TUDO EM QUE IMPLIQUE EM CEDER UM POUCO PARA O BEM COLETIVO AFRONTA O EGOISMO, E EM SEU SOCORRO VEM A ESTUPIDEZ…DEFENDER A MAE EGOISMO!! E NO BRASIL?? ENTRE OS MILHARES DE EGOISMOS E RESPECTIVOS FILHOS…UM EXEMPLO CLASSICO E A DILMA 2010….

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Atualizado 02/09/2010 16h00