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RELATÓRIO

Na África, quase metade das mortes infantis são causadas pela fome

Segundo o Fórum Africano de Políticas para Crianças, quase 60 milhões de crianças africanas não têm acesso à comida suficiente para uma alimentação saudável

Na África, quase metade das mortes infantis são causadas pela fome
Até 2050, África pode ter 1 bilhão de crianças e jovens desnutridos (Foto: Feed My Starving Children/Flickr)

Quase metade de todas as mortes de crianças no continente africano é causada pela fome. Os dados são de um relatório do Fórum Africano de Políticas para Crianças (ACPF, em inglês).

Segundo o estudo, quase 60 milhões de crianças africanas não têm acesso à comida suficiente para uma alimentação saudável. O relatório estima ainda que nove em cada dez crianças da África não preenchem os critérios de uma dieta mínima, conforme é estipulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ademais, o relatório aponta que uma em cada três crianças africanas tem desenvolvimento deficiente e que a fome é responsável por quase metade da mortalidade infantil no continente. Além disso, duas em cada cinco crianças não fazem refeições regularmente. Os números chamam a atenção, principalmente porque a África pode ter, até 2050, 1 bilhão de crianças e adolescentes desnutridos.

“A fome infantil é fundamentalmente um problema político. […] É completamente inaceitável que as crianças ainda passem fome na África no século XXI. As estatísticas são verdadeiramente alarmantes. A fome infantil é impulsionada pela extrema pobreza, crescimento econômico desigual, desigualdade de gênero e um sistema alimentar quebrado. Embora a África agora produza mais alimentos do que nunca, isso não resultou em melhores dietas”, destacou Assefa Bequele, diretora-executiva da ACPF.

Segundo o relatório, a fome infantil atinge diretamente a economia dos países africanos, podendo custar até 17% do Produto Interno Bruto (PIB) das nações. Estima-se que, na Etiópia, a fome infantil custe 16,5% do PIB, enquanto em Ruanda o custo é de 11,5% do PIB.

No entanto, o estudo aponta que, para cada dólar investido para tratar a fome infantil, há um bom retorno financeiro. O retorno pode variar de US$ 17 em Uganda e Níger até US$ 85 na Nigéria, caso o investimento seja feito cedo na vida da criança.

Segundo o ranking da ACPF, as Ilhas Maurício e a África do Sul são os países africanos menos atingidos pelo problema da fome infantil, enquanto a República Centro-Africana e Chade são as nações nas quais o problema é mais grave no continente.

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Fontes:
The Guardian-Nearly half of all child deaths in Africa stem from hunger, study shows

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