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ELEIÇÕES 2018

Perfeita desordem: empresa que audita eleições deixa a Venezuela

A britânica Smartmatic, líder mundial em tecnologia de processos eleitorais, já não havia participado das últimas eleições

Perfeita desordem: empresa que audita eleições deixa a Venezuela
Eleições venezuelanas foram adiadas para o próximo dia 20 de maio (Foto: Wikimedia)

Depois de prestar serviços e assistência por 15 anos – e em 14 eleições -na Venezuela, a britânica Smartmatic confirmou esta semana que fechou seus escritórios e atividades no país. Embora o anúncio aconteça a mais de dois meses do pleito presidencial marcado para o dia 20 de maio, a empresa, líder mundial em tecnologia de processos eleitorais, já não havia participado das últimas eleições no ano passado – as regionais, de 15 de outubro, e as municipais, de 10 de dezembro.

O rompimento entre o governo Maduro – que tentará a reeleição – e a empresa – que presta serviços de informatização de eleições em dezenas de países – aconteceu em agosto de 2017, depois das eleições para a Assembleia Nacional Constituinte. Naquela ocasião, a Smartmatic declarou publicamente que o Conselho Eleitoral Nacional manipulou para mais, em cerca de um milhão, os números de comparecimento encontrados no sistema de votação. Em outras palavras – seja em espanhol, inglês ou português – houve fraude.

Candidatos coadjuvantes garantem protagonismo de Maduro

Como se vê, não é a quantidade de eleições que determina o estado democrático de um país – principalmente se o resultado final não refletir a transparência do processo eleitoral. A Smartmatic deixa para trás – nas mãos da turma de Maduro – produtos e tecnologias que podem ser alterados e manipulados. “Assim, a empresa não pode assegurar a integridade e exatidão dos resultados”, informou em nota divulgada à imprensa.

O processo eleitoral venezuelano está praticamente pronto: tudo na mais perfeita desordem. Seis candidatos já apresentaram suas postulações ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) – conferindo assim autenticidade a um processo visto com desconfiança por observadores do mundo inteiro. São eles: o líder da Igreja Maranata, Javier Bertucci; o ex-militar e dirigente da Frente Ampla Nacional Bolivariana (FANB), Francisco Visconti; o opositor Henri Falcón; o integrante do partido Unidade Política Popular 89 (UPP89), Reinado Quijada; e ainda o outsider e empresário independente Luis Alejandro Ratti, que considera as eleições como “a única opção democrática para permitir a saída de Maduro”. Por fim, mas não necessariamente por último, Nicolás Maduro entregou seu registro e também o “Plano da Pátria 2025”, com mais de 30.000 propostas com foco para o futuro e o crescimento econômico do país.

Smartmatic atua também no Brasil

Em nota, o grupo britânico destaca que “atuou em mais de 3.500 eleições e processos em todo o mundo, apurando mais de 3,7 bilhões de votos em projetos eleitorais dos cinco continentes”. A empresa – líder da indústria do voto eletrônico – forneceu aproximadamente 1.500 antenas e serviços de comunicação via satélite, voz e dados para os 15 estados mais remotos do Brasil durante as eleições estaduais em 2016, provendo ainda tecnologia e suporte em pleitos na Argentina, Bélgica, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Estônia, Filipinas, Haiti, Índia, Itália, México, Omã, Quirguistão, Serra Leoa e Zâmbia – num total de 40 países atendidos.

O rompimento comercial entre Caracas e a Smartmatic põe sob suspeita um governo que levou seu povo à fome e à desesperança. Este episódio expõe um presidente que, a título de forjar uma democracia, promoveu três eleições num único ano. Nas palavras de Mark Malloch-Brown, CEO da Smartmatic, “um processo de votação confiável dá legitimidade aos representantes eleitos e é uma ferramenta fundamental para o fortalecimento da democracia”.

Desde que seja uma democracia de verdade, claro.

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1 Opinião

  1. Rogerio Faria disse:

    Não sei que de quem suspeito mais: do Maduro ou da Smartmatic.

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