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Nações que renascem das próprias cinzas

Alguns dos povos mais perseguidos ao longo da história são apagados do mapa; outros por fim conquistam a soberania. Por quê?

Nações que renascem das próprias cinzas
Os vassalos precisam estar bem preparados para explorar as crises nos momentos em que ocorrem (Fonte: Reprodução/The Economist/Simon Pemberton)

Os rumos da história são imprevisíveis. O momento atual no Oriente Médio dá uma chance histórica para o sonho de independência dos curdos, com a futura conquista de um território no norte do Iraque e a revogação de seu status de autonomia parcial. O sonho de uma pátria para o povo judeu na Palestina se concretizou. No entanto, em meio à sorte e ao caos, por que os curdos, assim como outros povos, devem passar da tragédia à soberania, enquanto muitas minorias não têm o mesmo destino. O padrão da história oferece indícios, que ajudam a entender o mecanismo complexo da mobilidade social e política de determinadas comunidades.

O fator mais importante, na opinião de Eugene Rogan, um historiador da Universidade de Oxford, é a “massa crítica”, que permite a um grupo constituir uma maioria coesa em uma comunidade na qual é minoria. Entre outros fatores de conquista da soberania, a reivindicação antiga e legítima dessa minoria ao território onde vive é também um elemento relevante.

Conflitos violentos e sofrimento podem destruir as aspirações de independência política e territorial. No entanto, é possível que o sofrimento tenha o efeito oposto de estimular as esperanças de muitas minorias. “O sofrimento cria uma cultura messiânica”, observou o historiador Norman Davies, permitindo que os nacionalistas mobilizem seus compatriotas. Ajuda também a obter o apoio diplomático, essencial para grupos que aspiram à autodeterminação. E o trauma pode provocar uma diáspora, cujo apelo político e humanitário, a ampla divulgação e a arrecadação de fundos são cada vez importantes no cenário político.

Mas essas circunstâncias só contribuem para a obtenção da soberania de determinadas minorias se houver uma desintegração política nos territórios onde vivem, ou mais raro, quando o governo permite a criação de uma unidade política independente. Porém os vassalos precisam estar bem preparados para explorar as crises nos momentos em que ocorrem.

Massa crítica; fronteiras plausíveis; simpatia no exterior; uma história; uma diáspora; senhores frágeis: onde é mais provável que esse conjunto de particularidades predomine? A Rússia, um império interno, pode se desintegrar. Ou, talvez sob a tensão do processo democrático, a poderosa China permita que o Tibet e os uigures, uma minoria mulçumana perseguida na China, recuperem a independência.

Um realinhamento do Oriente Médio parece inevitável. Se a Síria não resistir aos anos de uma guerra civil violenta, disse Bassam Ishak, presidente do Conselho Nacional Siríaco da Síria, alguns cristãos assírios dispersos no Oriente podem voltar. Em um prazo muito longo, há sempre esperança.

Fontes:
The Economist - Minorities and sovereignty: Phoenix nations

1 Opinião

  1. Regina Caldas disse:

    The Economist: ” The dream of a Jewish homeland …” “O sonho de um estado Judeu…” O&N: “O sonho fantasioso de uma pátria para o povo judeu..” Qual a razão de substituir sonho como foi dito no Economist, por sonho fantasioso?

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