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Nas eleições venezuelanas, o voto que conta

Os generais venezuelanos aceitariam uma mudança na presidência?

Nas eleições venezuelanas, o voto que conta
Muitos generais graduados declararam apoio aberto a Chávez (Reprodução/Internet)

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Sete anos antes de Hugo Chávez ser eleito presidente da Venezuela, em 1998, ele tentou tomar o poder através de um golpe militar que fracassou. Desde então, ele já foi reeleito duas vezes, mas desta vez, em outubro, enfrentará  um oponente de peso, Henrique Capriles, ex-governador. Chávez, embora lidere as pesquisas, tem recebido tratamento contra câncer em Cuba, e preocupações em relação a sua saúde podem vir a enfraquecer o seu apoio. O presidente afirma que respeitará a decisão dos eleitores. Mas parte da oposição receia que ele possa tentar permanecer no poder mesmo no caso de perder a eleição.

Caso Chávez faça pouco do eleitorado venezuelano, o exército pode vir a determinar o resultado. Legalmente, as forças armadas têm que fornecer apoio logístico e segurança durante as eleições. A constituição que Chávez promulgou em 1999 limita o exército a seu papel apartidário. E os oficiais como um todo não são mais chavistas do que a população em geral.

Contudo, o ministro da defesa, general Henry Rangel Silva, afirmou em 2010 que o exército estava “casado” com o projeto esquerdista do presidente, e Chávez afirma que o exército é tanto socialista quanto chavista. Muitos generais graduados declararam apoio político a Chávez abertamente e, provavelmente, seriam convidados a se retirar para a reserva caso Capriles seja eleito. Alguns desses poderiam até mesmo ter que enfrentar acusações legais: o Departamento do Tesouro americano colocou o general Rangel Silva em uma lista negra por alegações de que o militar teria cooperado com traficantes de drogas.

Chávez complicou ainda mais a situação com uma lei de 2011 que concedeu ao presidente a patente militar de comandante em chefe das forças armadas. Um futuro presidente eleito, o qual estaria abaixo de Chávez na hierarquia militar, teria que aposentá-lo. Embora a constituição proíba membros do exército de concorrer a vagas eletivas, a autoridade eleitoral resolveu fazer vista grossa.

Mesmo que o exército abandone Chávez, ele poderia tentar se apegar ao poder por outros meios. Em anos recentes ele criou uma milícia autônoma responsável por auxiliar na “construção do socialismo”. O governo afirma que tal milícia conta com 125.000 membros, tornando-a comparável em tamanho (mas não em poder de fogo ou treinamento) ao exército formal. Ademais, eles devem lealdade a Chávez, não ao estado venezuelano.

Capriles está tentando desarmar essa ameaça através de cortejos ao exército em si. Ele recentemente prometeu aumentar os benefícios sociais dos soldados, basear promoções no mérito em vez de recomendações e acabar com as interferências estrangeiras – uma referência à presença de oficiais cubanos no país. Depois disso, Chávez acusou o seu rival de odiar o exército. Ambos os candidatos parecem ter consciência de que a campanha nas casernas pode ser tão importante como a campanha nos barrios.

Fontes:
The Economist-The vote that counts

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1 Opinião

  1. helo disse:

    Chávez é militar, o exército está com ele, a imprensa está blindada, a oposição mais organizada se exilou, o candidato da oposição já está enfrentando boatos de ter ligação com o tráfico e já foi acusado por Chávez de odiar o exército, que fiscaliza as eleições. É preciso mais para adivinhar o resultado? Chávez só cairá quando o país chegar ao fim do poço para o qual caminha a passos largos.

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