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SÉRIE LÍDERES

Nathan Myhrvold e o mercado de ideias

Dono da Intellectual Ventures aposta em inovação e projetos ambiciosos

Nathan Myhrvold e o mercado de ideias
O físico Nathan Myhrvold consegue lucrar com suas invenções (Fonte: Eyevine)

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Quando se está tentando ter novas ideias, “é importante ter certeza de que as pessoas estão confortáveis com as loucuras que você diz”, afirma Nathan Myhrvold. Sua firma, a Intellectual Ventures, tenta lucrar com invenções. Myhrvold não precisa do dinheiro: como ex-chefe de tecnologia da Microsoft ele já tem o bastante. Mas Myhrvold crê que “a invenção é o que temos de mais próximo da mágica”.

Myhrvold realiza “sessões de intervenção”, cada uma delas incluindo pensadores de diferentes campos. Ele os reúne em uma sala com litros de café, e deixa que eles apresentem ideias. Assistentes registram a conversa e a incrementam projetando estudos científicos relevantes em um telão. Myhrvold, um físico, participa animadamente das reuniões.

Como ele é inteligente e bem-conectado (investidores em sua firma incluem a Microsoft, a Intel, a Apple, o Google, a Sony e a Nokia), outras pessoas inteligentes participam de suas sessões. Nenhuma ideia é absurda demais para ser ouvida. Um participante sugeriu que mosquitos transmissores da malária fossem mortos com raios laser. Todos riram. Mas depois os membros da reunião pensaram sobre o assunto e perceberam que o laser era muito mais barato do que se imaginava, graças aos aparelhos de Blu-Ray e às impressoras. Um protótipo foi construído em 2008, e afirma agora procura um parceiro para produzi-lo.

Entre outras coisas, sua equipe projetou um reator que usaria lixo nuclear como combustível. Isso, segundo ele, geraria 20 vezes mais energia do urânio do que a tecnologia atual. É esse tipo de aposta ambiciosa e arriscada que o mundo deve fazer para combater o aquecimento global. Se a ideia funcionar, ele aumentará sua fortuna. Se não funcionar, ele tem várias outras ideias.

Sua empresa ilustra alguns dos princípios úteis para aqueles que querem promover a inovação. Em primeiro lugar, com a tecnologia se tornando mais complexa, os avanços dependem menos de inspiração individual e mais de colaborações. Quanto mais os milhões de cientistas do mundo falarem uns com os outros, maior será o número de boas ideias que surgirão. O número de patentes concedidas aumentou de 900 mil em 1985 para 1,9 milhão em 2008.

A empresa de Myhrvold está sediada em Seattle, mas recebe cientistas de todas as partes do mundo e mantém uma subsidiária na Índia para acompanhar as ondas de inovação no país. Seus cientistas em Bangalore estão trabalhando em uma série de projetos que vão de um laser vermelho capaz de preservar alimentos a uma nanomáquina de DNA capaz de levar remédios a pontos precisos dos corpos dos pacientes.

O segundo princípio é o de que os lucros fazem a diferença. A invenção tem várias mães, das quais, o dinheiro provavelmente não é a mais importante. Inventores tentam melhorar as coisas porque é o que eles amam fazer. A necessidade, claro, desempenha um papel importante, mas os inventores também querem viver bem, e os lucros são uma grande fonte de disciplina. Uma coisa é fazer um carro elétrico. Outra bem diferente e fazê-lo de maneira que seja barato e potente para que pessoas queiram comprá-lo.

Ainda assim, o mercado de ideias está longe de ser perfeito. Há bastante capital para ideias que prometem retorno financeiro a curto ou médio prazo, mas pesquisas e desenvolvimento a longo prazo dependem enormemente dos governos, e quase sempre são financiadas em forma de caridade: “Dê-me o dinheiro e você nunca mais o verá”, como diz Myhrvold.  Ele prefere uma abordagem mais típica dos negócios, envolvendo um mercado mais líquido para os investidores venderem e comprarem ideias. Na opinião de Myhrvold, esse mercado atrairia bilhões de dólares para as novas invenções.

Suas ideias são polêmicas. Além de gerar suas próprias ideias, a Intellectual Ventures também compra pacotes de patentes de outras empresas. Algumas pessoas no Vale do Silício temem que Myhrvold use seu portfólio de patentes para processar empresas de tecnologia por supostamente infringi-las. Mas Myhrvold nega qualquer intenção de se tornar o que os moradores do Vale chamam de “troll das patentes”. Ele comanda vários fundos que permitem que investidores pacientes apostem em uma coleção de ideias que podem produzir retorno a longo prazo. Isso gera recompensas imediatas para os inventores que vendem suas patentes, encorajando, dessa forma, a inovação, afirma ele.

Fontes:
Economist - Crazy talking boffins

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3 Opiniões

  1. jaderdavila the small shareholder disse:

    a internet é um oceano de ideias,
    aonde a pessoa pesca oque ela gostar.
    o tempo que o inventor tem pra ganhar um dinheiro com a invençao dele é curto.
    penso que o nathan faz isso mais pra se divertir,
    e se possivel ganhar um dinheirinho.

  2. wholfensson laerte da cruz disse:

    O ser humano é incomensurável na arte de pensar, ou seja, “criar”.
    É elementar o que Nathan, faz.
    Myhrvold, usa o “crivo”! Vai para peneira, aonde só passa as melhores idéias, e posteriormente, as empregam.
    Acredito, que para divertimento é quase nada, contudo, inchar o seu cofre é o seu alvo! Utilizando da alavancagem, já que é um homem que extrai das pessoas, as suas pequenas jóias, para aumentar as suas. Tornando assim, cada dia mais rico!!!

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