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AFUNDADO EM 1708

Navio naufragado pode ter tesouro de US$ 17 bilhões

Afundado na costa da Colômbia em 1708, com 600 pessoas a bordo, o navio San Jose é considerado o ‘santo graal dos naufrágios’

Navio naufragado pode ter tesouro de US$ 17 bilhões
Navio foi encontrado em 2015, mas seus detalhes só foram divulgados nesta semana (Foto: Remus 6000/Whoi)

O Instituto Oceanográfico Woods Hole (Whoi), dos EUA, divulgou novos detalhes sobre o naufrágio do navio San Jose, na costa da Colômbia, afundado em 1708 com 600 pessoas a bordo. A embarcação, considerada o “santo graal dos naufrágios”, pode conter um tesouro de US$ 17 bilhões.

O navio, que foi afundado durante a Guerra da Sucessão Espanhola, em uma batalha com frotas britânicas, foi descoberto em novembro de 2015, na costa de Cartagena. Porém, os detalhes em relação à embarcação só puderam ser divulgados nesta semana, mediante autorização do governo da Colômbia e do Maritime Archaeology Consultants (MAC).

A expedição de descoberta do navio começou em junho de 2015, mas devido à restrição de tempo só pôde ser concluída em novembro do mesmo ano. O arqueólogo Roger Dooley foi um dos líderes das buscas, comandando o navio ARC Malpelo. A busca foi bem sucedida, detectando que o navio estava 600 metros abaixo da superfície, na chamada Península Baru, na costa da Colômbia.

“A fim de garantir uma busca bem-sucedida, mantivemos os serviços do Instituto Oceanográfico Woods Hole, que possui uma extensa e reconhecida expertise em exploração em águas profundas. Essa parceria foi fundamental para a descoberta do San Jose”, disse Dooley.

Para encontrar os destroços, foi usado o submarino-robô autônomo Remus 6000, uma espécie de drone subaquático, que em 2011 foi utilizado para encontrar os restos do avião Air France 447, que caiu em 2009 a centenas de quilômetros da costa do nordeste do Brasil. Além disso, o equipamento também foi usado em 2010, em uma expedição no local do naufrágio do Titanic.

“O Remus 6000 era a ferramenta ideal para o trabalho, já que é capaz de conduzir missões de longa duração em áreas amplas”, destacou Mike Purcell, líder da expedição e engenheiro do Whoi.

O submarino-robô, então, desceu próximo à embarcação para tirar fotografias. Depois, as fotos foram analisadas e as características particulares do San José puderam ser confirmadas.

“Durante a expedição de novembro, obtivemos as primeiras indicações da descoberta a partir de imagens de sonar de varredura lateral do naufrágio. A partir dessas imagens, pudemos ver fortes retornos de sinal de sonar, então enviamos o Remus de volta para um olhar mais atento para coletar imagens da câmera”, disse Purcell.

A descoberta tem um enorme valor cultural e histórico para a Colômbia. Isso porque o tesouro e os artefatos contidos no navio podem fornecer informações sobre a situação social, política e econômica da Europa no século XVIII. Com isso, o governo colombiano já começou a planejar a construção de um museu e de um laboratório para preservar os achados e exibir publicamente os artefatos, como os canhões e as cerâmicas.

“Os destroços eram parcialmente cobertos de sedimentos, mas com as imagens da câmera das missões de menor altitude, pudemos ver novos detalhes nos destroços e a resolução foi boa o suficiente para distinguir a escultura decorativa dos canhões. O principal arqueólogo marinho da MAC, Roger Dooley, interpretou as imagens e confirmou que o San José finalmente foi encontrado”, apontou Purcell.

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