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Nem sempre as zonas de livre comércio são investimentos bem-sucedidos

As ZEEs transformaram-se em paraísos para lavagem de dinheiro por meio, por exemplo, de fraudes no faturamento das exportações

Nem sempre as zonas de livre comércio são investimentos bem-sucedidos
Shenzhen, na China, atraiu milhares de investidores estrangeiros e as políticas testadas na ZEE disseminaram-se para outras cidades (Reprodução/Internet)

Quando a primeira zona de livre comércio foi inaugurada no aeroporto de Shannon em 1959, o fato atraiu a atenção de poucas pessoas fora da Irlanda. Agora, todos admiram as “zonas econômicas especiais” (ZEEs), que oferecem incentivos fiscais e tarifários, procedimentos alfandegários simplificados e menos regulamentação. Entre quatro países, três têm pelo menos uma zona econômica especial. Hoje, existem cerca de 4.300 ZEEs e mais estão sendo criadas no mundo inteiro. Myanmar e Catar inauguraram novas ZEEs há pouco tempo; as autoridades indianas chamam seus projetos de zonas econômicas especiais de “revolucionários”; Shinzo Abe, o primeiro-ministro do Japão, anunciou a criação de zonas estratégicas especiais como parte de seu programa de reforma.

Os admiradores das ZEEs relatam diversas histórias de sucesso, mas nenhuma se compara à zona econômica especial da China perto de Hong Kong, inaugurada em 1980 e desde então apelidada de o “Milagre de Shenzhen”. Essa ZEE foi criada com o objetivo de testar as reformas econômicas, que os líderes chineses temiam que fugissem de imediato do controle central. Shenzhen atraiu milhares de investidores estrangeiros e as políticas testadas na ZEE disseminaram-se para outras cidades. Mas esse entusiasmo excessivo pelas ZEEs sugere que os governos com frequência veem esses investimentos como uma vitória fácil: basta anunciar um novo empreendimento, reservar um terreno, oferecer incentivos fiscais e, de repente, regiões ou negócios em dificuldade resolveriam seus problemas.

No entanto, não é assim tão fácil. Embora sejam populares, as ZEEs quase sempre são uns fiascos. A África está repleta de elefantes brancos. A Índia tem centenas de zonas econômicas especiais que fracassaram, entre as quais mais de 60 no estado de Maharashtra nos últimos anos.

Nem esses empreendimentos estão isentos de custos. Os incentivos oferecidos para atrair estrangeiros significam a renúncia a receitas fiscais (pelo menos no curto prazo). As ZEEs criam distorções nas economias, uma razão pela qual a liberalização em âmbito nacional é sempre melhor do que investimentos isolados. As zonas econômicas especiais transformaram-se em paraísos para lavagem de dinheiro por meio, por exemplo, de fraudes no faturamento das exportações.

Fontes:
Economist-Not so special

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