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Nem sempre o autocontrole é benéfico para a saúde

O autocontrole melhora as chances de sucesso na vida, mas prejudica a saúde

Nem sempre o autocontrole é benéfico para a saúde
Nos EUA, programas buscam ensinar crianças a terem autocontrole (Fonte: Reprodução/Alamy)

Tudo começou com uns marshmallows. Na década de 1960 Walter Mischel, um psicólogo que trabalhava na Universidade de Stanford, iniciou uma série de experimentos com crianças pequenas. Uma criança ficou sozinha durante 15 minutos com um prato de marshmallow ou de outra guloseima semelhante à sua frente, com a promessa que se não comesse o doce até o final dos 15 minutos, ganharia mais uma porção. Algumas crianças de 4 e 5 anos sucumbiram à tentação antes do tempo previsto. Outras resistiram e ganharam a recompensa.

Em seguida, foi a vez de Mischel esperar. Ele acompanhou o progresso das crianças à medida que cresciam. As que haviam resistido tinham um desempenho melhor na escola, do que as que haviam cedido à tentação. Na idade adulta conseguiram empregos melhores, eram menos propensas a usar drogas e infringiam a lei com menos frequência. Além disso, as circunstâncias familiares das crianças indicaram que o comportamento impulsivo havia sido incorporado como um aprendizado ao longo de suas experiências de vida ou fora herdado. Isso sugeriu que o aprendizado poderia ser revertido e, assim, a criança em questão teria chances melhores de sucesso na vida.

Os diversos estudos realizados posteriormente confirmaram a percepção inicial de Mischel e agora estão influenciando uma mudança na política pública, sobretudo nos Estados Unidos, onde a Administration for Children and Families, um órgão do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, está desenvolvendo programas para ensinar as crianças a terem autocontrole. No entanto, pesquisas recentes indicaram que nem sempre o autocontrole é benéfico para a saúde.

Um estudo publicado há dois anos por Gene Brody, da Universidade da Georgia, que examinou um grupo de jovens negros americanos, revelou que os jovens que demonstravam autocontrole na adolescência recebiam os benefícios esperados. Mas se eles fossem provenientes de classes menos favorecidas, tinham uma tendência maior a serem hipertensos, obesos e de terem níveis mais altos de cortisol, um hormônio produzido pelo organismo em situação de estresse, do que seus colegas menos comedidos. Essa analogia não se aplicava a pessoas de classes mais ricas.

Em seguida a esse estudo, Brody e seus colegas fizeram uma pesquisa que chegou a uma conclusão também surpreendente. Em pessoas de classes sociais mais altas, o autocontrole acelerava o processo de envelhecimento. Essa pesquisa, recém-publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, baseou-se na análise da metilação do DNA, um tipo de modificação química do DNA que consiste em adicionar um grupo metilo ao material genético em cromossomos.

Fontes:
The Economist - Social mobility and epigenetics: No good deed goes unpunished

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