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Livro sobre o Nepal

Nepal: contraste de uma nação no Himalaia

Depois de duas décadas de turbulência política, os sinais de progresso são pequenos

Nepal: contraste de uma nação no Himalaia
Depois de duas décadas de turbulência política, os sinais de progresso são pequenos (Reprodução/AFP)

O Nepal é um país com uma população estimada em 30 milhões de habitantes, situado em um local estratégico entre a Índia e a China. O Nepal tem um imenso potencial hidrelétrico, com capacidade de gerar eletricidade para o norte da Índia. Se o país tivesse uma situação política estável e fosse bem administrado, seria ainda mais agradável, mais rico e atrairia o interesse dos investidores, dos turistas e moradores.

Depois de duas décadas de turbulência política, os sinais de progresso são pequenos. A monarquia sobreviveu a um massacre liderado por um príncipe alcoólatra insatisfeito com o governo em 2001, mas foi derrubada sete anos depois. Uma guerra civil de tendência maoísta disseminou o sofrimento no país. Os conflitos entre um exército brutal e guerrilheiros, assim como tortura, sequestro e assassinato nos dois lados prolongaram-se por dez anos, causando a morte de cerca de 18 mil pessoas até o final dos conflitos em 2006.

Dois novos livros sobre o Nepal, ambos escritos por jornalistas, apresentam visões perspicazes da situação sociopolítica e econômica do país. Thomas Bell, um antigo colaborador do The Economist, autor de Kathmandu, fez um relato em parte autobiográfico, de narração de viagens e da história política de Katmandu. Apesar do fascínio pela arte, arquitetura e história da cidade onde mora, segundo Bell, os cartéis e os gângsteres transformaram Katmandu em um lugar monstruoso, sujo e caótico.

Prashant Jha, um jornalista nepalês que vive em Nova Déli, autor de Battles of the New Republic: A Contemporary History of Nepal, é menos pessimista. Ele também se sente frustrado com os políticos corruptos, com a desigualdade da distribuição de renda e com os problemas étnicos, além da interferência constante da Índia nos assuntos internos do país e os efeitos do governo despótico do antigo rei. No entanto, talvez beneficiado pelo distanciamento geopolítico, Prashant Jha tem uma visão mais otimista: o Nepal está mais aberto ao mundo externo, mais democrático e justo.

Entre as duas visões contrastantes do Nepal, surge um novo contexto revelado pelas eleições realizadas em 2013, nas quais os eleitores demonstraram mais confiança no futuro do país e os antigos líderes maoístas perderam a força política. De acordo com as previsões, em 2015 o país terá uma Constituição, assim como uma reorganização do governo federal. Ao mesmo tempo, as estatísticas sobre pobreza, educação, entre outros índices sociopolíticos e econômicos, mostraram um progresso consistente. Ainda é muito cedo para dizer que o Nepal será o Shangri-La tão sonhado, mas como Prashant Jha sugere, mesmo um pequeno progresso merece ser comemorado.

Fontes:
The Economist-Between a rock and a high place

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